Cuidado com o exageros

Devido ao péssimo exemplo de um graduado da PSP, que protagonizou o incidente de Guimarães registado pela câmara da CMTV, e ao péssimo exemplo de um agente da policia de intervenção no Marquês de Pombal, que insultou verbal e gestualmente, de forma recorrente e ordinária os presentes (gravado pela SIC), podemos correr o risco de considerar que a polícia é um coio de maus profissionais ou criminosos. É preciso discernimento. Uma andorinha não faz a Primavera, e nunca me ouvirão falar das forças de segurança como sendo constituída em geral por pessoas pouco recomendáveis.

É verdade que há casos de corrupção, o caso de Paulo Pereira, ex-vice do SCP e ex-PJ e tantos outros que são apanhados nas malhas da lei. Mas isso só prova que são seres humanos susceptíveis de falhar, como todos nós.
O melhor que a tutela tem a fazer, de modo a salvaguardar a imagem das forças de segurança perante a população, é apurar rapidamente os factos e agir com mão dura. Mas já começou mal ao atirar para daqui a cerca de mês e meio (30 dias úteis) a conclusão do inquérito do MAI. Devia estar pronto no máximo em duas semanas, de modo a não parecer que se trata dum expediente para fazer esquecer o acontecimento. E não me digam que é pouco tempo para ouvir os intervenientes, as testemunhas, visualizar as imagens e redigir o documento.

Os portugueses precisam de confiar minimamente nas suas forças de segurança. E estes tristes episódios não podem fazer esquecer as más condições de trabalho destes profissionais (fardamento, viaturas, acomodações), nem o que esta ministra do olhar assustado está a fazer com o congelamento das leis orgânicas da PSP e GNR.

Punam-se exemplarmente os responsáveis para que este labéu não fique a pairar sobre toda a instituição.

Ainda sobre Guimarães,  é curioso e triste como não vemos um único polícia a proteger as instalações do clube (loja, bar e WC furtados nas calmas e vandalizados) mas apenas a bater ferozmente num cidadão pacato e num velho indefeso, por causa duma criança que se sentiu mal, num manifesto abuso de poder… Há aqui qualquer coisa que não bate certo.

Idosos isolados

 

“Amar uma pessoa significa querer envelhecer com ela.” Albert Camus

 

A Operação Censos Sénior permitiu à GNR sinalizar cerca de quarenta mil idosos a viver sozinhos ou isolados, um número mais de treze por cento superior a idêntico levantamento realizado no ano de 2014.

Este indicador social tem vindo a revelar-se alarmante nos últimos anos, registando crescimentos de 45%, 21% e 20% nos anos anteriores. Mesmo considerando alguns erros de avaliação, como o caso de idosos que passam o Verão no interior e o Inverno no litoral, em casa de familiares, ou na casa onde viviam antes de se reformar e regressar à sua terra de origem, estes números não deixam de ser assustadores. Explicam em parte, aliás, os casos crescentes de idosos que morrem sozinhos, sem ninguém se aperceber, e que vão surgindo com desconfortável frequência na comunicação social.

A esmagadora maioria destes idosos está sozinha, uma parte significativa deles vive isolada, outra fatia relevante acumula: está sozinha e isolada. Há ainda os que estão acompanhados mas que sofrem de graves limitações físicas e / ou psicológicas.

Esta população está altamente vulnerável a inúmeros perigos, quer por via da criminalidade: furto, roubo, burla e até violação, quer por via dos acidentes domésticos (quedas) ou de saúde (episódios cardíacos, neurológicos, desidratação, falta de cuidados básicos).

Face a esta situação há que pensar fora da caixa, ousar em novas soluções e reforçar as já existentes, como por exemplo:

Centros de Noite: onde os idosos que ainda dispõem de autonomia possam pernoitar em segurança, fazendo a sua vida autónoma durante o dia.

Programas intergeracionais: colocando jovens estudantes do ensino superior, deslocados das suas terras de origem, a viver em casa desses idosos, dando-lhes apoio em troca de alojamento e participação nas tarefas e despesas domésticas.

Residências urbanas colectivas: prédios de apartamentos inseridos na comunidade onde os idosos possam sentir-se integrados na cidade, mas com os apoios e a vigilância necessários. Podem fazer a sua vida independente, mas têm a segurança de um suporte permanente para o que necessitarem e sempre que precisem.

Programas de cuidadores familiares: que permita a familiares qualificados e formados tomarem conta dos idosos dependentes, em vez da sua institucionalização, que será sempre muito mais dispendiosa, despersonalizada e ineficaz.

Serviços ambulatórios: profissionais médicos e de enfermagem que circulem pelo interior, em rotas programadas e agendadas, de modo a desenvolver cuidados de saúde preventiva, uma vez que muitos desses idosos, por razões financeiras ou de falta de transporte, dificilmente se deslocam a hospitais, centros de saúde ou unidades de saúde familiar, por se encontrarem longe.

A tendência é para o aumento desta população. O censo de 2011 já registava cerca de 19% da população com idade igual ou superior a 65 anos e, deste aí a quebra da natalidade e o aumento da emigração só se agravaram.

Mas é importante que se pensem soluções adequadas tanto para a realidade dos idosos que vivem isolados nos grandes centros urbanos, como também para os que residem no interior, em regiões quase despovoadas e sem dispor sequer dum telefone.

Os tempos que vivemos exigem inovação, não só empresarial mas social.

 

Fonte: José Brissos-Lino, Setúbal na Rede, 19/5/15.

 

 

 

 

Tudo a fingir

ENRIC VIVES RUBIO

 

O PSD finge que pode pedir ao Conselho das Finanças Públicas que analise o quadro macroeconómico preparado pelo grupo de economistas que apoiam o PS. Este finge que não se importa, desde que o mesmo CFP analise também os documentos do PSD. E agora Teodora Cardoso (CFP) vem fingir que o Conselho não quer fazer tais análises. Nesta terra política anda tudo a fingir.

“Alegrai-vos porque já achei a minha ovelha perdida” (Lc 15:6); “Ovelhas perdidas foram o meu povo, esqueceram-se do lugar do seu repouso” (Jr 50:6).

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