“Mangas de alpaca” em pânico

 

Os “mangas de alpaca” da Europa (excepto Mário Draghi e Angela Merkel), que é como Marcelo Rebelo de Sousa chamou ontem a Juncker, Comissão Europeia e Eurogrupo (inclui a ministra portuguesa das Finanças? E já agora, o ex-presidente da Comissão, Durão Barroso?), agora que a Grécia avança com o referendo popular já dizem que têm novas propostas, para atrair Tsipras à negociações.
Os “mangas de alpaca” tremem de medo que os povos falem, por isso esta Europa (irreconhecível nos seus ideais e princípios) tem sido construída nos últimos anos quase sempre por burocratas, à revelia da opinião dos eleitores.
Os gregos responderam à permanente chantagem dos invertebrados políticos europeus.

Primeiro foi a chantagem eleitoral sobre o povo grego, que votou mesmo contra a vontade expressa de alemães e companhia. Depois foi a tentativa permanente de deitar abaixo o governo democraticamente eleito pelos gregos, na mesa das negociações, tentado vender ao mundo a ideia da irresponsabilidade e inflexibilidade do governo de Atenas.
Mas, depois de eles mesmos terem dito que Atenas cedeu, tendo apresentado propostas credíveis, FMI e companhia vieram com novas exigências de última hora, a ver se os gregos, com a corda na garganta, papavam tudo e depois o parlamento rejeitava e o governo caía. De caminho insultaram-nos, chamando-lhes “crianças”…
Saiu-lhes o tiro pela culatra. O povo vai mesmo falar. E qualquer político sabe que, em política, “voz do povo é voz de Deus”…

A Europa a caminho do Nada

 

A Europa está na senda do niilismo.
Qualquer estudioso sabe que o Ocidente assenta em três grandes heranças culturais e civilizacionais: o profetismo hebraico, a filosofia grega e o cristianismo.
Esta UE cometeu um primeiro erro, na redacção preâmbulo do documento fundador que se ensaiou. Renegou as suas raízes judaico-cristãs. De uma penada cortou cerca dois dos seus três pilares.
Agora comete o segundo erro, último e fatal: decidiu achincalhar a Grécia, em nome do capitalismo selvagem a que se converteu há muito.
À pala de pensar que a sua força está nos ramos viçosos, esta Europa tornou-se uma árvore que se deu à loucura de arrancar as próprias raízes. No primeiro vendaval vai estatelar-se no chão, com estrondo.
Começo a desejar sair fora disto o mais depressa possível.

Ouvir os Gregos (poema de J.T.Parreira)

Foto de João Tomaz Parreira.

 

“Um grego só entre os deuses se há-de achar”
Konstantinos Kaváfis

 

No meio dos bárbaros da Europa, a voz do teu senado
espera, em silêncio de pedra, a tua voz dos mármores
ouve-se mas é impenetrável
és um texto que teus poetas guardam
sobre a força esbelta das colunas
susténs ainda
nos frisos a sageza dos rostos das mulheres
e a provocação caindo sobre um peito
a alça de um vestido
Tu és Antígona que desautoriza o rei.

s/data
© João Tomaz Parreira

“Alegrai-vos porque já achei a minha ovelha perdida” (Lc 15:6); “Ovelhas perdidas foram o meu povo, esqueceram-se do lugar do seu repouso” (Jr 50:6).

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