Um erro de casting

Quando se ouve falar em público a ministra da Administração Interna é que se toma consciência de como a qualidade do nosso pessoal político está em curva descendente.  Não sei se a senhora é competente ou não na sua profissão (ao menos esta ministra tem uma profissão), mas como membro do governo já mostrou que deixa muito a desejar.

Ontem, ao ouvi-la mais uma vez, fez-me lembrar Vítor Gaspar. Mas esse era genuíno e apesar de tudo conseguia comunicar, embora em câmara lenta. Anabela Rodrigues (AR) é bem pior, pois não consegue comunicar de todo. É tanta a hesitação que ficamos desconfiados de que a senhora não sabe o que anda a fazer. Um político para quem as palavras são como brasas vivas, não é certamente um político.

Ontem acabou por dar a entender aquilo que já se sabia: as chefias militares do Exército não abrem mão de continuar a comandar a GNR, mesmo contra a vontade desta força. Ou seja, praticamente confessou que o estatuto da GNR (cuja aprovação ela tinha prometido para ontem) encalhou por esse facto.

Para dirigir as polícias e forças de segurança é normal indicar para ministro alguém com peso político. Era o caso do anterior titular da pasta. Para mais, este governo tem na Defesa um político com peso. Agora temos esta senhora, que tem tanto peso como uma pluma.

AR não tem peso nem capacidade política, nem comunicacional. Nem sequer imagem (está sempre com um ar tenso e desconfiado). Não tem nada que a habilite a desempenhar com eficácia o seu cargo. Foi um completo erro de casting de Passos Coelho. Ou então, ninguém a sério estava disposto a aceitar o cargo na altura. E assim vai este pobre país…

Perder a verba das multas é que não!

 

A ministra andou a empurrar com a barriga para a frente a data da assinatura do novo estatuto da polícia. Talvez a ver se ficava para depois das eleições. Mas bastou que os profissionais fizessem greve às multas, para o mesmo ser assinado logo à pressa. Ainda há dias a ministra não se comprometia com um prazo para o fazer. Pode não ter muito a ver, mas em política, o que parece, é. Este governo gosta mais de sacar dinheiro aos cidadãos e contribuintes do que o macaco de banana…

O que tem O Principezinho?

 

 

A obra maior de Saint-Exupéry parece que ganha renovada expressão e relevância à medida que o tempo passa. Trata-se de um fenómeno ainda em busca de uma explicação satisfatória.

Obedecendo a um certo revivalismo, foi agora oferecida pela primeira vez aos leitores portugueses, por uma editora nacional, a versão do livro tal como Exupéry o escreveu e forneceu à editora americana em 1943.

O Principezinho, do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, um clássico da literatura para jovens e adultos, está traduzido para dezenas de línguas (incluindo uma edição em mirandês), e entra este ano no domínio público.

O autor, que escreveu e ilustrou a obra, em plena II Guerra Mundial, quando se encontrava exilado nos Estados Unidos, conseguiu publicá-la ali em inglês e na sua língua materna. Logo que o livro saiu a público, o escritor, que era piloto, foi combater para a Argélia, tendo morrido em 1944, nunca chegando a saber que a obra seria publicada também em França (1946), e sobretudo que se veio a tornar num sucesso internacional.

É uma das obras literárias mais traduzidas e vendidas em todo o mundo, inspiração de jogos, séries de televisão e abundante material didáctico, sendo recomendada pelo Plano Nacional de Leitura. Consta de um conjunto de estórias nas quais um pequeno príncipe conta a um piloto as suas aventuras, entre estrelas e planetas, onde entram também plantas e animais, sendo este o seu grande princípio: “o essencial é invisível aos olhos”.

Talvez o ambiente de guerra generalizada pelo mundo, com todo o seu cortejo de morte, sofrimento e destruição, tenha levado o autor a uma espécie de fuga à dura realidade, concentrando-se no essencial da vida.

E que melhor forma de o fazer senão através do olhar inocente de uma criança?

J B-L

 

“Alegrai-vos porque já achei a minha ovelha perdida” (Lc 15:6); “Ovelhas perdidas foram o meu povo, esqueceram-se do lugar do seu repouso” (Jr 50:6).

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