Menina Mohave, 1903

Mosa Mohave girl, 1903. Native Americans By Edward S. Curtis,1890s-1900s. Old Pics Archive.

Native Americans By Edward S. Curtis. Old Pics Archive.
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De volta à Palavra

cartaz conglutero

“Regressar a Lutero é regressar a Jesus Cristo, a São Paulo, aos Evangelhos, à história dos Pais da Igreja, à Igreja como tal”. (Pe. Carreira das Neves)

 A celebração dos 500 anos da Reforma religiosa na Europa, a partir da iniciativa do monge agostinho alemão Martinho Lutero, de redigir as suas 95 teses em latim, a língua dos académicos e da Igreja e colocá-las para discussão entre os seus pares, aflorou levemente na comunicação social portuguesa.

A Reforma nunca passou para cá dos Pirinéus. O que passou foi a Contra-Reforma e a resposta do concílio de Trento, que incluiu as fogueiras da Inquisição, a censura (Códex) e a criação da Companhia de Jesus.

O antiprotestantismo centrou-se nos defeitos e falhas do ser humano Lutero, esquecendo que não seria pior do que o apóstolo Pedro, que a tradição veio a considerar ter sido o primeiro papa (sem qualquer evidência histórica). Ambos coléricos, impulsivos e extremamente emocionais. Ambos seres humanos feitos da mesma massa de todos nós. Nem anjos nem demónios.

O movimento reformador protestante acabou por influenciar e potenciar a caminhada da Europa em direcção à Modernidade. Os princípios luteranos do livre exame das Escrituras e do sacerdócio universal dos crentes ajudaram a colocar a tónica na responsabilidade pessoal do indivíduo perante Deus, em detrimento do papel mediador da instituição Igreja, como até aí.

A prensa de Gutemberg e o Renascimento ajudaram a desenvolver as artes e as ciências, conferindo-lhes uma maior liberdade (lembremo-nos de Galileu), e o xadrez político moveu-se no mesmo sentido.

Mas pensando Lutero do ponto de vista teológico, C. H. Spurgeon afirmou, em sermão evocativo dos 400 anos do seu nascimento, que terá sido a frase bíblica “O justo viverá pela fé” que produziu a Reforma. Como diz J. T. Parreira: “Não foi um dogma inventado por Lutero nem sequer por Paulo, esta verdade veterotestamentária foi dada em primeira mão a um Profeta menor. A mesma inspiração veio a este como veio ao Apóstolo Paulo, que na Carta aos Romanos (mas não só) a “transmitiu” ao monge agostiniano. Por que meio? Pela leitura da Epístola, ou seja pela Sola Scriptura”. A Reforma Protestante significou a recuperação do púlpito, isto é, da pregação da Palavra de Deus, pois, como está escrito: “A fé vem por ouvir, e ouvir a palavra de Deus”.

Está a decorrer desde ontem, na Gulbenkian, o maior congresso realizado em Portugal sobre a Reforma e o papel de Lutero na construção da Modernidade, com 120 comunicações de académicos e especialistas de diversas áreas do saber, nacionais e estrangeiros. A ideia é discutir a Reforma e suas consequências religiosas, sociais, culturais e políticas, como nunca se fez por cá.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 10/11/17.

 

 

“Alegrai-vos porque já achei a minha ovelha perdida” (Lc 15:6); “Ovelhas perdidas foram o meu povo, esqueceram-se do lugar do seu repouso” (Jr 50:6).

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