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Rangel anda a ranger

Rangel a explicar que a distância entre a seriedade e a idioteira é muito curta...

 

O que o eurodeputado e dirigente do PSD disse esta tarde – embora de forma indirecta – num evento partidário é simplesmente isto:

1 – O sistema judicial deixa-se manipular pelo poder político.

2 – Os do PSD são anjos e os do PS demónios.

Se a segunda asserção é perfeitamente idiota, a ponto de ser estranho ouvi-la da boca daquele político, a primeira é muito grave.

Pela mesma ordem de ideias, pode -se então dizer que Sócrates estará a ser investigado só porque o actual governo terá instrumentalizado a Justiça nesse sentido… Certo?

A imprensa chamou a isto um “ataque feroz” ao PS. E ainda nem começou a campanha eleitoral. Cavaco Silva deu mais uma ao lado, quando disse ainda ontem que estava muito satisfeito pela elevação dos partidos na pré-campanha. Pois, pois…

 

Um erro de casting

Quando se ouve falar em público a ministra da Administração Interna é que se toma consciência de como a qualidade do nosso pessoal político está em curva descendente.  Não sei se a senhora é competente ou não na sua profissão (ao menos esta ministra tem uma profissão), mas como membro do governo já mostrou que deixa muito a desejar.

Ontem, ao ouvi-la mais uma vez, fez-me lembrar Vítor Gaspar. Mas esse era genuíno e apesar de tudo conseguia comunicar, embora em câmara lenta. Anabela Rodrigues (AR) é bem pior, pois não consegue comunicar de todo. É tanta a hesitação que ficamos desconfiados de que a senhora não sabe o que anda a fazer. Um político para quem as palavras são como brasas vivas, não é certamente um político.

Ontem acabou por dar a entender aquilo que já se sabia: as chefias militares do Exército não abrem mão de continuar a comandar a GNR, mesmo contra a vontade desta força. Ou seja, praticamente confessou que o estatuto da GNR (cuja aprovação ela tinha prometido para ontem) encalhou por esse facto.

Para dirigir as polícias e forças de segurança é normal indicar para ministro alguém com peso político. Era o caso do anterior titular da pasta. Para mais, este governo tem na Defesa um político com peso. Agora temos esta senhora, que tem tanto peso como uma pluma.

AR não tem peso nem capacidade política, nem comunicacional. Nem sequer imagem (está sempre com um ar tenso e desconfiado). Não tem nada que a habilite a desempenhar com eficácia o seu cargo. Foi um completo erro de casting de Passos Coelho. Ou então, ninguém a sério estava disposto a aceitar o cargo na altura. E assim vai este pobre país…

Perder a verba das multas é que não!

 

A ministra andou a empurrar com a barriga para a frente a data da assinatura do novo estatuto da polícia. Talvez a ver se ficava para depois das eleições. Mas bastou que os profissionais fizessem greve às multas, para o mesmo ser assinado logo à pressa. Ainda há dias a ministra não se comprometia com um prazo para o fazer. Pode não ter muito a ver, mas em política, o que parece, é. Este governo gosta mais de sacar dinheiro aos cidadãos e contribuintes do que o macaco de banana…