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Palavras perdidas (1431)

“Isto é a ponta do icebergue. Se saímos à irlandesa desta terrível relação com a troika ou com programa cautelar é coisa irrelevante se esta hemorragia não parar. Se os negócios do Estado continuarem a ser movimentados nos interesses de alguns e bem se sabe até onde o negócio pode levar. Veja-se esta entrada nos PALOP de uma das mais terríveis ditaduras do mundo apenas com a finalidade de salvar um banco. É cada vez mais evidente que não há negócio anunciado que não tenha comprador acertado. É cada vez mais evidente que não fomos nós que vivemos acima das nossas possibilidades durante muitos anos. Cada vez é mais claro que o Estado permitiu que um punhado de gente poderosa roubasse acima das nossas possibilidades durante muitos anos.”

(Francisco Moita Flores, CM)

Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/opiniao/colunistas/francisco_moita_flores/detalhe/mete-medo.html

O “glorioso ajustamento”

Olhemos para o que se passou nos últimos anos, em alguns dos domínios que a CE identifica como «desequilíbrios excessivos», considerando três momentos distintos. A situação em 2007 (antes do impacto da crise financeira), no final de 2010 (antes da assinatura do Memorando de Entendimento com a troika) e a situação em 2014, depois de três anos de «glorioso ajustamento» e de paradigmática «mudança estrutural» da economia e da sociedade portuguesa.

trambolhão

 

Em resultado da sangria migratória e da quebra acentuada no saldo natural nos últimos três anos, Portugal atingiu em 2014 um saldo demográfico negativo (-60 mil) que é absolutamente inédito na nossa história recente e longínqua. A destruição de emprego, por sua vez, atingiu entre 2010 e 2014 níveis colossais (com uma quebra de cerca de 8%, o dobro da registada entre 2007 e 2010) e o desemprego dispara no mesmo período de 11 para 14% (sendo que sem as operações de camuflagem estatística de desempregados esta subida seria muito mais significativa). A dívida pública em percentagem do PIB não cessou de aumentar e a percentagem de população em risco de pobreza conhece novos patamares, em linha com a hipocrisia que subjaz à garantia de «ética social na austeridade».

Tudo isto, atente-se bem, em consequência de um programa de «ajustamento» que prometia «salvar o país», proceder a um «equilíbrio sustentável das finanças públicas» e corrigir os tais «desequilíbrios estruturais». O que comprova que os sacrifícios valeram mesmo a pena, só é preciso continuar a insistir.

 

Fonte: Nuno Serra, Ladrões de bicicletas.

Medalhas de latão

zei

 

Os prémios são uma ilusão. Dos maiores aos mais pequenos. Mesmo os Nobel. Por vezes não passam de acções de marketing. Como se vê agora pelos que foram recebidos por Zeinal Bava:

2003, 2004 e 2005: Melhor CFO europeu no setor das telecomunicações
2009: Melhor CEO na área de Investor Relations
2010: Melhor CEO europeu no setor das telecomunicações e melhor CEO em Portugal
2011: Segundo melhor CEO europeu no setor das telecomunicações e melhor CEO em Portugal
2012: Melhor CEO europeu no setor das telecomunicações e melhor CEO em Portugal

 

No sentido contrário

 

“Portugal em “vigilância apertada” pela comissão europeia devido aos desequilíbrios excessivos (antecâmara das sanções). Agora imaginem que Varoufakis vai à próxima reunião pedir mão pesada para Portugal e contextualizamos melhor o comportamento do governo nacional. Mas não deixa de ser sintomático que Portugal esteja “debaixo de olho” de Bruxelas, menos de uma semana depois de Maria Luís Albuquerque ter aceitado, de forma indigna, participar numa cerimónia com o único propósito de mostrar o governo grego que a Alemanha gostaria de ter. O dócil e cordato governo do PSD e CDS. Uma semana depois veio a factura do “sucesso”.

Fonte: Pedro Sales, Facebook, via Ladrões de bicicletas.

Os pombos fizeram cocó no discurso altaneiro do “não somos a Grécia!”…

 

É preciso ter azar para vir Bruxelas dizer o que disse logo no dia a seguir aquele em  que Paulo Portas disse maravilhas da economia portuguesa e das suas perspectivas fantásticas na conferência do The Economist… Cada tiro cada melro.

E o que disse a Comissão Europeia? Que no quadro das análises feitas no contexto do semestre económico, decidiu colocar cinco Estados-membros, entre os quais Portugal, sob “monitorização específica”, por desequilíbrios económicos excessivos, abrindo ainda o procedimento por desequilíbrios macroeconómicos para Portugal e Roménia.

Estão à vista os riscos da propaganda apressada.

Nada como ser anjo

 

Ainda bem que temos anjos em altos cargos da nação.

A Procuradora Geral da República admite que “o Ministério Público terá que reconhecer que podia ter tido um desempenho mais adequado” no polémico caso dos submarinos. Pois. Mas porque não teve, onde estão as consequências para quem não investigou como devia? Isso a senhora procuradora não diz.

Joana Marques Vidal acrescenta também que “há uma rede que utiliza o aparelho de Estado e da administração pública para concretizar actos ilícitos, muitos na área da corrupção”. Pois. E o que faz a PGR? Muito pouco ou nada que se veja.

Mas o melhor desta entrevista dada ao Público e a Renascença é sobre o tema do segredo de justiça. Diz a procuradora que “seria um atrevimento da minha parte garantir que não há nenhuma fuga da parte do Ministério Público. Mas posso garantir que, atualmente, a existir, elas são muito mais limitadas”. Ou seja, a quebra do segredo de justiça é crime, mas agora a nação pode dormir descansada que o crime é pequenino. Isto é quase a mesma coisa que dizer: “não se preocupem, posso garantir que agora há muito menos homicídios do que antigamente”.

Só que não é verdade. Nunca se ouviu e viu tantas evidências do crime de quebra do segredo de justiça como agora, e fica sempre impune. Por outro lado, sabemos que as fugas dificilmente podem ter outra origem que não a investigação. E como esta está sob a sua alçada, na PGR, há que minimizar a coisa, para tentar acalmar a opinião pública. Pois.

Nada como ser anjo nos tempos que correm.