Arquivo da categoria: Actualidade

Palavras perdidas (1227)

“Para desgraça de todos nós, o jornalismo é caro e o bom jornalismo mais caro ainda (porque exige profissionais de qualidade, equipas multidisciplinares com meios e tempo) e, por isso, a informação tem vindo a ser substituída com prejuízo por espaços com opinadores. O problema é que, não só a cobertura jornalística da política em geral é de um enorme sectarismo (muitos jornalistas são de direita e fazem propaganda das suas preferências políticas ou são maus e limitam-se a repetir o discurso hegemónico do poder, de direita) como os espaços de opinião estão invadidos por comentadores de direita ou do “centro” – alguns apresentados sob uma roupagem técnica como “economistas”, “politólogos” ou mesmo “jornalistas” – e estão praticamente desprovidos de uma visão alternativa. Qualquer jornalista sabe isto e sabe que isto é desonesto. O resultado é um brutal enviesamento da informação e da opinião oferecida aos cidadãos, que não podem deixar de aderir às teses que lhe são marteladas de manhã à noite, em particular pelas televisões, por falsas que sejam (como a tese do aumento da carga fiscal ou do ataque à classe média). E é por isso que todos conhecemos as mil coisas que podem correr mal na execução orçamental e que se fala tanto disso. A direita radical quer que este orçamento corra mal, que o governo caia e que o pais entre em bancarrota. Não está a olhar a meios para o conseguir. E o meio principal é esta lavagem ao cérebro que espera que se torne uma profecia auto-realizadora.”

José Vítor Malheiros, Público

Palavras perdidas (1226)

“Recordam-se da gritaria da direita a respeito deste orçamento? Recordam-se da satisfação com que os arautos dos partidos da direita repetiram que este orçamento seria chumbado sem apelo nem agravo pelos poderes de Bruxelas? Recordam-se do seráfico Marco António Costa a dizer que o orçamento não era credível, como se ele o fosse? Recordam-se da voz embargada de emoção com que os comentaristas da direita que enchem os telejornais desenhavam cenários de queda do Governo devido ao fim do apoio dos partidos à esquerda do PS e liam nas borras de café a perdição de António Costa? Recordam-se da emoção com que o PSD e o CDS anunciavam um novo resgate, uma nova troika, uma nova austeridade? Recordam-se dos líderes do Partido Popular Europeu repreendendo publicamente o governo português por fazer um orçamento que defende os interesses nacionais, com uma desfaçatez que não pode deixar de ter sido avalizada pelo PSD e pelo CDS? Recordam-se dos mesmos líderes a criticar o governo português por ser apoiado por “partidos antieuropeístas” como se fosse proibido ser crítico da UE? Recordam-se de Jorge Braga de Macedo a defender que Bruxelas deve tratar Lisboa com mais severidade agora que o governo português não está alinhado com a ideologia dominante na Comissão porque tem apoios (outra vez) de “partidos antieuropeístas”?”

José Vítor Malheiros, Público

Palavras perdidas (1225)

“A partir do momento em que António Costa e Mário Centeno decidiram negociar e mostraram disponibilidade para introduzir na sua proposta novas fontes de receita para equilibrar o exercício, essas dúvidas dissiparam-se. O Governo cumpriu a sua palavra de empenho para com as regras em vigor na União Europeia e, ao fazê-lo, deixou ao eleitorado moderado que preenche o leque partidário entre o CDS e o próprio PS uma mensagem de zelo e de moderação. Mais difícil ainda, fê-lo conseguindo (ao que parece, pelo menos para já) envolver os seus parceiros informais do Bloco e do PCP na sua estratégia. Teve de ceder? Claro que sim, até porque não há negociações sérias sem inflexão de posições. Mas fê-lo com uma mestria política rara. Deu ao PCP e ao Bloco mais impostos sobre a banca, acabou com essa incompreensível benesse aos fundos imobiliários que não pagavam IMI e manteve firmes as garantias de que a sua política de rendimentos via devolução de salários e pensões ou cortes na sobretaxa de IRS não vai ser alterada.”

Manuel Carvalho, Público.

Marcelo, para desopilar

Irrequieto por natureza, o novo Presidente da República é conhecido entre os amigos pelas suas “marcelices”. Ontem, no primeiro dia depois de ser eleito, fez duas: estacionou num lugar para deficientes e andou sem cinto numa reportagem para a SIC. Mas o seu historial de travessuras é muito longo. O i escolheu 20 das mais divertidas.

A cama da avó Joaquina

Quando resolveu candidatar-se à Assembleia Municipal de Celorico de Basto, Marcelo começou a falar na avó Joaquina para justificar a ligação à terra. Mas a verdade é que o maior contacto que teve com a avó foi em Lisboa, com quem ficou a viver enquanto os pais estavam em Moçambique. Nessa altura divertia-se a pregar partidas à senhora. Uma vez, depois de tremor de terra de 1968, pôs-se debaixo da cama da avó e simulou uma réplica de forma tão real que ela ia saindo para a rua em pânico, ainda em camisa de dormir.

Vale a pena continuar a ler, aqui.