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O espírito e a letra

Janeiro 27, 2012

Há dois aspectos fundamentais numa lei: o espírito da mesma e a sua letra. Ou seja, os objectivos que se pretendem alcançar com ela, por um lado e por outro a forma como está redigida.

A lei de limitação de mandatos pretende condicionar tendências caciquistas, sobretudo no mundo autárquico, onde serão eventualmente mais prováveis.

Mas acontece que as leis da república têm quase sempre buracos, verdadeiras armadilhas que permitem fazer com que essa mesma legislação não seja eficaz nem atinja os seus objectivos (o espírito), nos casos em que tais buracos venham a ser verdadeiramente explorados por quem sabe.

Acresce que, muitas vezes, se fica com a convicção de que o legislador deixa lá ficar tais alçapões de propósito. Ou seja, os mesmos que fazem as leis, as assinam, votam, promulgam e regulamentam, procuram tirar partido do suposto objectivo das leis, jogando na aparência, por razões políticas e eleitorais, sabendo porém que, quando for necessário, há sempre maneiras de lhes dar a volta.

Neste momento parece começar a verificar-se algum desconforto na coligação de governo, pois o partido que tem grande expressão autárquica pretenderá salvaguardar a possibilidade de um autarca, impedido pela lei de voltar a candidatar-se à mesma autarquia, por ter atingido o limite de mandatos, poder fazê-lo na casa vizinha, perpetuando-se assim em funções idênticas e garantindo uma clientela eleitoral já conquistada.

Para lá de tal possibilidade ser contrária ao espírito republicano, cujas eleições pretendem em parte combater as tentativas de perpetuação no poder, compreende-se que o partido da coligação com muito menor expressão eleitoral autárquica terá mais dificuldade em combater velhos dinossauros do outro partido como candidatos às câmaras municipais.

Os “pára-quedistas” devem andar a fazer toda a pressão possível nos corredores do poder, de modo a conseguirem aproveitar os buracos da lei em nome da sobrevivência política.

Sim, porque muitos autarcas notórios dificilmente sobrevivem fora do âmbito do poder local, e 2013 é já ali.

Vejam-se os casos paradigmáticos de Isaltino Morais (Oeiras), Fernando Gomes (Porto) e Narciso Miranda (Matosinhos). Considerados bons autarcas, eleitos e reeleitos, passaram fugazmente pelo governo central e dele desistiram sem deixar qualquer marca.

Fonte: Brissos Lino, O Setubalense, 27/1/12.

Polifonias cromáticas – V

Janeiro 27, 2012

BRANCO
A noiva na neve sentiu nevralgias
e seus alvos dentes beijaram
uma rosa branca
e uma açucena vertida
em açúcar refinado

ser puro tem destas coisas
pormenores que a nave da vida
olvida
na sua veloz navegação.
© Brissos Lino
24/1/12

Inteligente

Janeiro 27, 2012

Via Facebook.

Polifonias cromáticas – IV

Janeiro 26, 2012

ROSA
Antes que alguém diga que é piroso
contarei todos os lugares onde
és princesa
nessa fusão entre pureza e paixão
há que afinar o tom
encontrar o equilíbrio sempre instável
entre as tuas duas faces

só assim fazes sentido
todo o sentido.
© Brissos Lino
23/1/12

Arte urbana

Janeiro 26, 2012

Via Facebook.

Os últimos 200 anos

Janeiro 26, 2012

Será verdade?!…

Janeiro 26, 2012

Via Facebook.

A apresentar obra sobre a história de uma instituição centenária

Janeiro 25, 2012

A intervir na sessão de assinatura do protocolo que prevê a prestação de protecção e socorro nas freguesias de Azeitão, estabelecido entre a Câmara Municipal de Setúbal e a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Setúbal, a cuja assembleia-geral presido, realizada no Salão Nobre do município no passado dia 5.

Na mesa, o Comandante Paulo Sedas, o (então ainda) presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Duarte Caldeira, a presidente da edilidade, Maria das Dores Meira e o presidente da Direcção da AHBVS, José Luís Bucho, ouvem atentamente a apresentação da obra de Alberto Pereira sobre os 125 anos da associação. Ver aqui e aqui.

Quando as princesas da Disney ficam deprimidas…

Janeiro 25, 2012

Via Pavablog.

Evangelismo falhado

Janeiro 25, 2012

Via Pavablog.

Coitado do professor…

Janeiro 25, 2012

Via Facebook.

Testemunho de um pobre reformado

Janeiro 24, 2012

Palavras perdidas (905)

Janeiro 24, 2012

“Às tantas, o político profissional com mais anos de carreira não conhece a real situação dos portugueses. O homem que foi eleito primeiro-ministro três vezes e Presidente da República duas, ignora como os cidadãos vivem. Nesse caso, o problema, infelizmente, não é dele, é nosso, pois temos votado num indivíduo que se está borrifando para nós e para a nossa vida.

Anteontem tive vergonha de ter votado algumas vezes neste senhor.”

(Pedro Marques Lopes)

Palavras perdidas (904)

Janeiro 24, 2012

“Cavaco Silva fala muitas vezes em nome do povo, das sua dificuldades, das suas misérias, solidário. Mas, à razão de 10 mil euros por mês, não consegue já ver o povo. Não é um problema de carácter ou de falta de honestidade intelectual. Cavaco perdeu-se de si próprio, entre as saudades da sua origem e o orgulho da sua conquista. Cavaco perdeu, classicamente, a consciência de classe.

Diz o mito que Maria Antonieta, rainha de França, respondera, sobranceira, a um pedido de pão feito por pobres: ‘Não têm pão? Comam brioches’. Diz a história que isto não se passou, que ela até se preocupava genuinamente com os miseráveis das ruas, vislumbrados do alto da sua carruagem, mas que a Revolução Francesa, a raiz da democracia, se construiu também em cima dessa discrição de arrogância cínica, ignorante, mais tarde vingada a golpe de guilhotina.

Cavaco Silva sofre da síndrome de Maria Antonieta… Nas ruas, ouvem-se gritos.”

(Pedro Tadeu, DN)

Cavaco falou tarde e não convence

Janeiro 24, 2012

Cavaco falou tarde. Deixou que o comentador do regime (Marcelo) lhe desse o mote da desculpa, mas não convence. Queixou-se de “sacrificios”… quais sacrifícios? Continua sem perceber que insultou os portugueses e ainda não pediu desculpa. Entretanto circula por aí uma petição online a exigir a sua demissão, que pode bem ir parar à Assembleia da República. Ler aqui.

Sófocles, ou o equívoco do destino nas tragédias gregas

Janeiro 24, 2012

Ensaio do nosso colaborador especial J.T.Parreira.

Mergulhar na problemática das origens do homem, se por um lado é rebuscar o inocente, que a Bíblia revela antes da Queda, é, por outro, o confronto com a realidade do livre arbítrio, a liberdade da criatura humana poder escolher entre o Bem e o Mal. Já o mergulho na mesma problemática, nas águas também ancestrais com dois milénios e meio, das obras trágicas de Sófocles- sobretudo no triângulo Sófocles-Édipo-Antígona – é, sem dúvida, o mergulho nas origens mitológicas do destino, que, segundo o autor grego, traça a vida do homem dominado pelos deuses, sem esperança.

O herói trágico grego tem que enfrentar um poder mítico sediado nos deuses, numa ideia de ética elevada sem redenção, o que é contrário à Graça de Deus revelada na Bíblia Sagrada e na Teologia Cristã.
Sófocles traça esse roteiro da desesperança, embora repleto de moralidade natural e lições de vida e de justiça, em quase todas as suas peças que chegaram até aos nossos dias.

O dramaturgo clássico ateniense, que viveu entre 495-406 a.C, escreveu entre 120 e 130 peças teatrais, ou poemas dramáticos, mas apenas sete chegaram à modernidade, e até hoje são o cânone de Sófocles.

São elas Édipo Rei, Édipo em Colono, Antígona, Electra, Ajax, As Traquínias e Filoctetas, que vão ser reunidas e publicadas agora, numa edição completa e única em português, depois de já termos lido algumas em edições autónomas e separadas, por exemplo, através das mãos eruditas dos profs. Agostinho da Silva ou Maria Helena Rocha Pereira.

As tragédias mais conhecidas e que continuam a impressionar a cultura ocidental, a arte e a estética dramáticas, a filosofia e, sobretudo, a ciência psicanalítica, são indubitavelmente Édipo Rei, Antígona e Electra.

Qualquer um destes monumentos da Literatura do Mundo, milenar e intemporal, da Antiguidade Clássica, traduzem aquela que era a visão de Sófocles, isto é, que o homem era um joguete nas mãos dos deuses, que o destino traçado lançava os homens, amarga e demolidoramente, na vida, sem possibilidades de perdão.

Mais do que suscitar prazer de leitura – como disse acerca deste conjunto de obras Harold Bloom, a fim de estabelecer o cânone ocidental-, suscita uma determinada compreensão ontológica do homem, e, antes de mais, um entendimento religioso do ser humano.

Por exemplo, o conceito ateniense, sófocliano, de destino personificado, fortuna , sina , num vocábulo grego moira, são disposições fatídicas, são alguma coisa assim como o determinismo, que somente poderiam ter lugar no mundo helénico.

Como sabemos, a Palavra de Deus não usa, conceptual e religiosamente, o termo Destino. Todavia quando utiliza, nas nossas versões, os termos Destino e, até, Fortuna (Isaías,65,11), carrega os mesmos com a tonalidade das cores negra e cinzenta dos ídolos (os deuses Gade e Meni, sírios), com os quais não pode haver comunhão, a tal ponto que a versão do Velho Testamento para a língua grega, a Septuaginta, lhes chama daímoni (demónio ou espírito do mal).

No entanto utiliza o verbo destinar (fazer algo em favor de), que tem a ver com a soberana vontade divina e, no mesmo plano, com a misericórdia e amor de Deus. O Apóstolo fundador da cultura cristã ocidental, escreveu aos tessalonicenses que Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante Jesus Cristo (I, 5,9). Esta asserção é universal, embora esteja aplicada em primeira mão aos crentes. Contrariamente ao universo mítico e funcionalmente ficcional das tragédias gregas de Sófocles, onde existem deuses ex-machina bastantes a determinar o fim sem esperança dos humanos, a afirmação de Paulo de Tarso estabelece a possibilidade de salvação. Os deuses das tragédias clássicas só condenam e executam essa condenação, mesmo que se trate de um dos mais belos dos homens, como o Prometeu acorrentado do dramaturgo Ésquilo; Deus, o Deus da Bíblia Sagrada, o Nosso Deus, dispôs e dispõe, através do Seu Filho, de meios de Redenção.

Em caso nenhum classicamente conhecido, nas tragédias de Édipo Rei ou de Antígona , para apenas citar estas duas obras-primas, a culpa tem redenção.

O modelo deveria ser assim, o próprio Aristóteles vê na primeira peça o seu ideal, isto é, o trânsito da felicidade para a infelicidade, o terminar no infortúnio, jamais o contrário, pelo menos conforme as suas regras estabelecidas em Poética .

Édipo não tinha liberdade para evitar o seu infortúnio, estava predestinado para a destruição – no caso, arrancar os próprios olhos e o exílio forçado – pelas suas culpas, o parricídio e o incesto, embora não tivesse consciência de estar a assassinar o pai, nem a desposar a mãe. «Por um vaticínio fatídico», conforme conta a própria mãe e «esposa» Jocasta. Por um equívoco do destino não conhecia ambos. Por um equívoco fora levado do regaço parental aos três dias de nascido, para se evitar a desgraça que o oráculo vaticinara: mataria o pai e casaria com a mãe. Quando já homem consultou o oráculo, vendo o que o destino lhe reservara, sai de casa dos pais adoptivos, para não se cumprir o vaticínio, que acabou por se realizar, porquanto a sua vontade não existia. Como se vê, num admirável crescendo da trama, a composição sófocliana estrutura-se numa sucessão de equívocos.

O erro humano nos trágicos gregos, chamado hamartia, (como também mais tarde no Novo Testamento) pagava-se caro e não tinha possibilidades nem de remissão nem de deixar de ser cometido nas acções iníquas, à luz da moral e das leis da Cidade. Édipo declara «os deuses detestam-me» e este é o tom do seu infortúnio, a razão de ser dos seus males predestinados.
«Que tempestade de terríveis desgraças derrubou o Édipo», declama o Coro, ao contrário do que se passa noutra tragédia, Antígona, do mesmo dramaturgo grego.

Nesta, a heroína Antígona sem vaticínio fatídico traçado à priori , quando se vê confrontada com a fatalidade, com o destino, revolta-se contra os desígnios, mais dos homens que dos deuses. Seja como for, Antígona enfrenta o destino; Édipo é apanhado no meio do turbilhão dos seus equívocos. Antígona arrisca revoltar-se – «Queres ficar do meu lado? Queres arriscar comigo?»- pergunta à sua irmã Isménia. Arriscar contra o quê? O destino escrito de que se desse sepultura condigna – dir-se-ia pré-cristã – ao seu irmão Polinices, estaria a desobedecer às leis do tirano Creonte e seria condenada à morte por tal acção de amor.

Seja como for, os dramas gregos retratavam o ser humano a meio caminho entre os fios que moviam como que uma marioneta, manobrada pelos deuses no seu presente, e o destino traçado pelos oráculos no passado. O protagonista humano, ou mesmo semi-deus, nas tragédias gregas, não tinham genericamente meio de se libertar.

Deuses, semi-deuses, humanos, não resolviam na tragédia grega nenhuma pendência entre si, que não fosse estruturada nas palavras e na vontade do oráculo, fosse numa realidade histórica remota – Édipo já vinha da ficção homérica -, que por sua vez já derivava da mitologia, fosse na metaforização do religioso.

Os seres humanos da maior parte das tragédias dos autores atenienses do Século V a.C, não poderiam renunciar a nada que estivesse lavrado nos autos do predeterminismo. A sua relação com o divino, era a relação com um deus ex-machina, com os numes de quem todos os acontecimentos dependiam. O equívoco e a desesperança faziam parte desta relação. Não obstante o valor do homem aos «olhos» das divindades ser evidente, o ser humano sofria, segundo o pensamento trágico dos gregos, de uma impossibilidade congénita de encontrar a salvação, de vencer o mal, retratado na figura do Hades.

Por fim, no poema lírico que o Coro entoa na tragédia Antígona , lemos sobre o homem palavras amáveis numa paráfrase, digamos assim, do Salmo bíblico VIII: «Muitas são as maravilhas do mundo, mas o homem supera-as a todas. (…) Ele conhece a palavra, o pensamento alado, os costumes urbanos e sabe defender-se dos inóspitos frios, sob o sereno céu, e das fustigantes chuvas. Sagaz e sem medos enfrenta o futuro. Só não pode encontrar salvação contra o Hades, embora saiba curar males sem remédio.”

Há uma gatinha Dolly

Janeiro 23, 2012

para o João, com carinho (e a Dolly)

Há uma gatinha Dolly entre as musas do poeta
uma ternura em quatro patas que aquece
as tardes frias
da imaginação
e povoa esses mundos imensos
sem fronteiras de arame farpado

uma gatinha Dolly cuja presença
deixa o pensamento correr
solto feito cabrito no pasto
mas está sempre ali
como o céu para as aves.
Brissos Lino
23/1/12

E o Prémio Nobel da Tradução vai para…

Janeiro 23, 2012

… Marcelo Rebelo de Sousa. Ler aqui.

Palavras perdidas (903)

Janeiro 23, 2012

“Um país sem livreiros e sem livrarias é um país menos culto, menos justo, menos livre, menos feliz e com um futuro menos risonho.”

(No blogue “Encontro Livreiro”, a propósito da notícia do encerramento anunciado da Livraria Portugal)

Sopa na SOPA

Janeiro 23, 2012

 

Há gente que só entende a lei da força. Alguns políticos americanos, em vez de se preocuparem com o lixo cibernético (pornografia, escolas de terrorismo, ideologias de intolerância) só se preocupam com o vil metal. Depois da pronta reacção dos internautas tiveram que voltar atrás e dar sopa na SOPA. Ler aqui.

Alfabetização infantil

Janeiro 23, 2012

Via Facebook.

O que fazer quando o telemóvel toca…

Janeiro 23, 2012

Via Pavablog.

Caça à multa

Janeiro 23, 2012

 

A falta de dinheiro leva os nossos governantes a atirarem-se como cães aos automobilistas. Só assim se compreende o aumento de 80 por cento de receitas em 2011, comparadas com o ano anterior, provenientes das infracções ao Código da Estrada. Ler aqui.  

Gloria (The Brooklyn Tabernacle Choir)

Janeiro 22, 2012

A crucificação de Cristo de um ponto de vista médico

Janeiro 22, 2012

Neopentecostalismo cada vez mais herético

Janeiro 21, 2012

“A primeira obra dele (de Deus Pai) foi Jesus Cristo”. Leia aqui. Valdemiro Santiago, fundador da IMPD, converteu-se à heresia ariana. O neopentecostalismo está cada vez mais herético. Mas as multidões cegas vão atrás. Não sei o que é mais grave, se é vender garrafinhas de água “abençoada” se é isto…

E o Genizah nestas coisas não perdoa.

Sr. Professor Cavaco, demita-se!

Janeiro 21, 2012

Um presidente da república que diz o que disse Cavaco Silva, sobre as suas pensões de reforma e o seu nível de vida, depois do que se sabe sobre os seus rendimentos regulares (sem falar nas mais-valias estranhamente obtidas através dos seus amigos do peito no BPN), só pode ter perdido o respeito dos reformados com 600 euros mensais, que este ano ficarão sem 13º e 14º meses, e da população em geral.

Como muito bem lembrou o deputado João Semedo, «ainda há bem pouco tempo o presidente Cavaco Silva promulgou um Orçamento de Estado que elimina o 13º e 14º meses para os reformados com rendimento mensal de 600 euros».

Cavaco prescindiu do ordenado de Presidente da República, mas acumula duas pensões, a de professor catedrático na Universidade Nova de Lisboa e a de reformado do Banco de Portugal, que totalizavam, antes dos cortes nas pensões de reforma, cerca de 10 mil euros mensais (brutos).

Com tais declarações Cavaco perdeu o meu respeito. Não tem estatura ética para estar à frente do país. Por mim podia demitir-se já, depois de pedir desculpa aos portugueses. Se ainda lhe resta alguma dignidade.

Polifonias cromáticas – III

Janeiro 21, 2012

VERMELHO

De fogo nascida
paixão devastadora
fogueira lavrada em terra seca
dormindo no olvido
lábios que insinuam uma maçã
suculenta e breve
entre romã e rubi
fico com os olhos incendiados
de ti.
Brissos Lino
15/1/12

Para quê investir na Educação?

Janeiro 21, 2012

Via Facebook.

Cuidado!

Janeiro 21, 2012

Vergonha!

Janeiro 20, 2012

As declarações do presidente Cavaco Silva proferidas hoje em público, referentes às suas pensões de reforma, constituem um insulto aos portugueses em geral, tanto aos que trabalham como aos desempregados, reformados e pensionistas em geral.

Continua a brincadeira destes senhores…

Janeiro 20, 2012

Como se chama uma instituição que elimina os subsídios de férias e Natal aos seus funcionários que auferem vencimento superior a 1000€ e entretanto , inopinadamente, faz nomeações em que atribui aos nomeados a auferir 1575€ mensais o privilégio inexplicável de receber esses subsídios, apelidando-os de “abono suplementar”?


Diário da República de 19 de Janeiro de 2012, Série II
Verifique em especial o ponto 3.

Fonte: Facebook de Abel José Varandas.

Curso rápido de Economia

Janeiro 20, 2012

Um viajante chega a um hotel para dormir, mas pede para ver o quarto. Entretanto, deixa um pré-pagamento com duas notas de 100 euros.

Enquanto o viajante inspecciona os quartos, o gerente do hotel sai a correr com as duas notas de 100 euros, e vai à mercearia ao lado pagar uma dívida antiga… exactamente de 200 euros. Surpreendido pelo pagamento inesperado da dívida, o merceeiro aproveita para pagar a um fornecedor uma dívida que tinha há muito… também de 200 euros.

O fornecedor, por sua vez, pega também nas duas notas e corre à farmácia, para liquidar uma dívida que aí tinha de… 200,00 euros.

O farmacêutico, com as duas notas na mão, corre disparado e vai a uma casa de alterne ali ao lado, liquidar uma dívida com uma prostituta… coincidentemente, a dívida era de 200 euros.

A prostituta, agradecida, sai com o dinheiro em direcção ao hotel, lugar onde habitualmente levava os seus clientes e que ultimamente não havia pago pelas acomodações.

Valor total da dívida: 200 euros.

Ela diz ao gerente que quer pagar a sua conta e coloca as notas em cima do balcão.

Nesse preciso momento, o viajante retorna do quarto, dizendo não ser o que esperava, pega nas duas notas de volta, agradece e sai do hotel.

Ninguém ganhou ou gastou um cêntimo, porém agora toda a cidade vive sem dívidas, com o crédito restaurado e começa a ver o futuro com confiança!

Moral da estória: ninguém entende a Economia. Nem quem escreveu isto!

(Colaboração de Ernesto Esteves)

Polifonias cromáticas – II

Janeiro 20, 2012

VERDE

Confunde-me a tua diversidade tonal
a riqueza com que te vestes
mas o mar, sempre o mar oceano
a reinventar aquele verde imenso
imperador

se eu me chamasse Esperança seria
uma esmeralda
como tu.
Brissos Lino
14/1/12

O mirante

Janeiro 20, 2012

Há cidades cor de pérola onde as mulheres existem velozmente. Onde
às vezes param, e são morosas por dentro. (Herberto Helder)
Quem entra em Setúbal vindo da estrada de Palmela, do Alentejo ou da auto-estrada, isto é, talvez mais de 95 por cento dos veículos automóveis, passam obrigatoriamente pelo mirante da Várzea.

Consta que a variante, construída há uns bons anos, com a intenção de desviar o trânsito do interior da cidade, terá sido redesenhada devido a esta construção histórica, em vez de seguir em frente no alinhamento do acesso saído do chamado cruzamento do Jumbo.

A questão é que o mirante – espécie de elevação utilizada no passado pelos capatazes a fim de vigiar o desempenho das tarefas dos trabalhadores agrícolas – será a primeira construção do país em betão armado, e daí a sua importância monumental.

Todavia, um olhar mais atento permite concluir facilmente que se encontra em adiantadíssimo estado de degradação, em risco de derrocada. Basta que um pequeno sismo ou um camião galgue o muro e embata naquela estrutura para ficar destruída. E já não seria a primeira vez que uma viatura pesada chocaria contra o dito muro…

Fala-se de construir uma rotunda à volta do mirante, ficando este no centro da mesma, mas o risco de derrocada continua.

Deslocalizá-lo, então, será tarefa quase impossível, não só tecnicamente como tendo em conta o adiantado estado de degradação que ostenta.

A solução, a meu ver, será a construção de uma réplica fiel, eventualmente noutro tipo de material, depois de devidamente documentado fotograficamente e não só. Essa réplica poderia ser colocada na tal rotunda a construir, ou mesmo noutro local da cidade. Não seria inédito.

A alternativa é a poluição visual constante, provocada por uma estrutura em ruínas, completamente entregue ao abandono. Não creio que seja assim que se preserva a memória.

O mirante, que permitia ver ao longe, é hoje um autêntico símbolo das vistas curtas dos responsáveis pelo património nacional. Não acredito que os setubalenses ou qualquer autarca da cidade tenha prazer em ver esta situação arrastar-se década após década, numa decadência contínua.

Em 1928 Augusto de Castro escrevia “As mulheres e as cidades”. Mulher que se preze não gosta de se mostrar degradada a este ponto, ainda por cima, na sua face, que é como quem diz, na sua principal porta de entrada.

Fonte: Brissos Lino,  O Setubalense, 20/1/12.

SCP passa a dedicar-se à Arte e à Cultura

Janeiro 19, 2012

Palavras perdidas (902)

Janeiro 19, 2012

“Não tenho dúvida, por exemplo, que cada livro tem o seu tempo para ficar pronto. Não adianta eu dizer que vou me separar do mundo durante seis meses e trabalhar dezoito horas por dia para escrever um livro. Se ele precisa de três, quatro anos, ele não sairá antes de três, quatro anos. A literatura é uma arte da paciência.”

(Amílcar Bettega, escritor)

Psalm 4 für Countertenor und Orchester (Daniel Léo Simpson)

Janeiro 19, 2012

As gaivotas não poisam nas árvores (inédito de J.T.Parreira)

Janeiro 19, 2012

 

 

As gaivotas que fogem do litoral cinzento não poisam nas copas das árvores.

Têm lugares predilectos, sem estranheza, o ar onde circum-evoluem, e, depois, os pátios

urbanos por detrás dos prédios.

Mas esses lugares de culto não incluem o reino vegetal. Que também existe nas traseiras

do meu apartamento.

Cimento, telhas, antenas de televisão nas quais podem ainda pôr as patas na firmeza

analógica. Nas copas das árvores, onde estão pombas e alguns pardais, não.

As copas das árvores são um mundo arredondado, com labirintos, sem o veludo

ondulante das águas do oceano.

 
© J.T.Parreira

Hierarquia invertida

Janeiro 19, 2012

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