Está provado: temos andado a ser enganados

Juncker apresenta-se. Quer Europa a crescer e com flexibilidade orçamental

 

O governo português e a política europeia devem andar com imensas tonturas depois da guinada brusca em que consistiu o discurso de Juncker no Parlamento Europeu, na posse como novo presidente da Comissão Europeia, onde afirmou que “aqueles que pensam que uma austeridade excessiva leva imediatamente ao crescimento pensam mal”.

Ora, austeridade excessiva foi que Passos Coelho / Vítor Gaspar / Maria Luís Albuquerque nos têm andado a vender há três anos, com as nefastas consequências que são conhecidas.

Mas agora é Bruxelas que diz, alto e a bom som, que é absolutamente necessário “reduzir o desemprego escandaloso” e “reforçar socialmente a Europa”, trabalhando para o “crescimento e investimento”.

Tudo isto vem ao arrepio da matriz política do governo PSD/CDS, que apostou na austeridade a todo o custo, mesmo para além da troika, na desvalorização do trabalho, na destruição de parte da economia, no desinvestimento na educação e na ciência, no estímulo à emigração dos jovens qualificados. Tudo políticas que aumentam o desemprego e hipotecam o crescimento e desenvolvimento do país.

Em nome do deus Défice destruiu-se a economia e instalou-se a recessão. A palavra de ordem do novo consulado passa a ser agora a “flexibilidade orçamental”. Isto vem tirar o tapete não apenas a políticos mas a economistas e jornalistas da área económica que assumiram o guião do FMI e dos altos interesses financeiros internacionais, para justificar a imposição do empobrecimento violento de boa parte da população portuguesa.

Só que agora já é tarde para o governo mudar a agulha. Passos e companhia vão perder as eleições de forma estrondosa e ficar para a história como os coveiros da economia, por razões ideológicas, assim como Sócrates ficou associado ao estado de pré-bancarrota do país, devido à sua teimosia pessoal.

 

 

Moita tem nova associação para apoio a pessoas vulneráveis

Decorreu no passado dia 11 de Outubro a sessão de inauguração da  Associação Cais de Terapias, da Moita, nas instalações da Biblioteca Municipal, com a presença da Vereadora do pelouro e da presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens do concelho, entre muitos convidados. Participo nesta associação como voluntário, nomeadamente integrando o seu Corpo Técnico.

10629732_314942952024910_8256115820082015294_nA intervir na sessão, na qualidade de membro do Corpo Técnico.

10734201_314946065357932_7978198326774019689_nParte da assistência.

1459698_314946725357866_6392529569898811635_nCorpo Técnico da associação, Vereadora da CMM e presidente da CPCJ da Moita.

 

 

Sete mitos/mentiras sobre os Portugueses

 

  1. Os portugueses trabalham pouco. Os alemães trabalham muito. Mentira. A jornada de trabalho em Portugal é uma das maiores da Europa desenvolvida. Comparados com os alemães, os portugueses trabalham mais 324 horas todos os anos, mas levam para casa menos 7484 euros.
  2. Os portugueses andaram a viver da mama da Europa, paga pelos alemães. Mentira. Com a entrada na UE, Portugal ganhou apenas 0,4% do PIB (fim da lista). Já a Alemanha encabeça o ranking com um aumento de 2,3%.
  3. Os portugueses têm demasiados feriados. Mentira. Em Portugal há 10 feridos (antes havia 14). A Finlândia tem 15, a Espanha 14, a Eslováquia 13, a Áustria 12, enquanto a Suécia, a Itália, a França e a Dinamarca têm 11. Na Alemanha há entre 10 a 13 feriados, conforme os estados (länders).
  4. Há demasiados portugueses que são funcionários públicos. Mentira. Temos, 575 mil e têm vindo a diminuir. Em 2008 (quando eram mais do que agora), eram 12,1% da população ativa. A média dos 32 países da OCDE é de 15%. A Dinamarca e a Noruega têm cerca 30%. O peso dos vencimentos dos funcionários públicos, em Portugal, em relação ao PIB, é inferior à média da UE e da zona euro: 10,5% em Portugal, 10,6% na zona euro, 10,8% na UE, mais de 18% em países como a Dinamarca ou a Noruega.
  5. Os portugueses não produzem o suficiente para ter saúde, educação e segurança social públicas e de qualidade. Mentira. Os trabalhadores portugueses entregam mais ao Estado (em contribuições e impostos diretos e indiretos) do que recebem em serviços públicos, sendo que na maioria dos anos até há excedente (os trabalhadores deram mais do que receberam do Estado).
  6. Os portugueses viveram acima das suas possibilidades e andaram a fazer crédito para carrões e férias na República Dominicana que não podiam pagar. Mentira. Em 2009, o crédito habitação era quase 80% do volume global de empréstimos contraídos por particulares. Uma decisão absolutamente racional, considerando que alugar casa era muito mais caro, logo, isso sim, seria viver acima das possibilidades.
  7. Os portugueses são um povo de brandos costumes. Mentira. Só nos séculos XIX e XX, contam-se milhares de mortos em guerras civis e revoluções. Foi o Estado Novo que inventou o chavão, numa operação de manipulação da nossa identidade. Para andarmos caladinhos e quietinhos.

Fonte: Joana Amaral Dias, Leituras.

Montmartre

Montmartre, Paris, 1952 - Photo by Robert Capa. Classic Pics.Montmartre, Paris, 1952 – Foto de Robert Capa. Classic Pics.

 

 

O cantinho sagrado da arte chama os jovens

ao paraíso dos olhares. Entre o cemitério e o Sacré Coeur

Montmartre atrai-lhes o gosto colegial

e o desejo de sonhos precoces

 

à volta da boina basca do velho artista

reconstrói-se o mundo inteiro

numa liturgia de minúcias

pinta-se o tempo enquanto o Sena corre

lá em baixo carregado de indiferenças

o pincel afaga a tela com os cuidados

dos amantes apaixonados. Fixa-lhes a vida

com cores vivas

 

à espera que a brisa entre na dança das artes

e participe na festa dos sentidos

como quem seca os cabelos ao vento

num filme romântico ao ar livre

num país de Verão.

 

 

© José Brissos-Lino

20/10/14

O embarque (poema de J. T. Parreira)

Embarque no Niassa para a Guerra Colonial. 1971Embarque de soldados no Niassa para a Guerra Colonial, 1971. 

 

 

Na partida dos navios

parecia Portugal a emudecer, as mães

faziam lágrimas bordadas nos lenços, o silêncio

a subir do Tejo, entre o cais e o navio

entretanto, na partida dos navios a alegria antes do medo.

Como aves displicentes pelos mastros, ao sol

Deitam-se soldados no convés, até ao vento

Que começa a aquecer, sabem

que estão à beira de África, às costas

o peso de um dever e nas mãos a morte

que das sombras da mata um dia pode vir.

Adormecem e os sonhos vacilam

Sobre a ondulação do mar.

 

18-10-2014

 ©  J.T.Parreira 

“Alegrai-vos porque já achei a minha ovelha perdida” (Lc 15:6); “Ovelhas perdidas foram o meu povo, esqueceram-se do lugar do seu repouso” (Jr 50:6).

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