“Este parte, aquele parte”…

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Este parte, aquele parte / e todos, todos se vão

(Adriano Correia de Oliveira)

 

 

Primeiro foi o Fernando Tordo a bater a porta com estrondo e a partir para o Brasil. Na altura a direita fez-se de modas por se tratar dum homem de esquerda e tentaram tudo para denegrir a sua imagem. Agora é o Rui Veloso que também se retira dos palcos. Ficamos cada vez mais entregues à pimbalhada.

Cada vez é mais difícil ouvir música portuguesa de qualidade. Os bons desistem ou vão-se embora, juntando-se ao meio milhão de jovens que abandonou o país nos últimos dez anos.

O que está a dar é um artista em cima do palco a fingir que sabe cantar, com o volume no máximo, e umas meninas a fingir que dançam, apenas para mostrar o peito e o rabo aos velhos machos mal resolvidos.

Cada vez temos menos música e mais ruído. Menos arte e mais comércio. Menos beleza e mais ordinarice.

E a sociedade é conduzida pela ideia peregrina de que se deve dar ao povo o que o povo gosta. E o povo gosta porque o ensinaram a gostar daquilo. É difícil escolher quando não se tem alternativa. Ou seja, estamos a entrar numa autêntica ditadura cultural. Rui Veloso pensa ser natural que os portugueses estejam baralhados e que adoptem “comportamentos próprios de quem foi cobaia.”

O que nos resta? Talvez termos os jardins da cidade transformados em salões de baile ao ar livre, no Verão, a debitar decibéis descontrolados até de madrugada, para desespero dos idosos, doentes, acamados e demais cidadãos que moram à volta e gostam de sossego dentro da sua casa, ou que têm que ir trabalhar no dia seguinte, como aconteceu este Verão em Setúbal.

Bem pode o Rui Veloso dizer: “É muito difícil para mim aceitar a realidade do país. Fico à espera que isto um dia tenha compostura e volte aos valores básicos da vida, perdido algures nestes últimos 30 anos de grande confusão e de desrespeito total pelos portugueses”. Pois. E ergue-se contra a inflacção de concursos televisivos, criticando frontalmente a procura obsessiva de sucesso rápido e fácil promovida por eles, pois se a música é para todos, “nem todos são para a música.”

A cultura do facilitismo atingiu todas as áreas da sociedade portuguesa. Nas artes, na universidade, na vida pública. Muitos acham que um palminho de cara, um corpo voluptuoso, uma argumentação interessante ou um bom padrinho chegam para singrar na vida. E aparentemente as circunstâncias parecem dar-lhes razão.

Por isso temos hoje um país à beira do colapso, sem presente e a desistir todos os dias do futuro.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 29/8/14.

Era uma vez… Portugal

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Nos tempos em que os reis mandavam, numa noite escura, à entrada de Dezembro, o rei veio à varanda do seu iluminado palácio e reparou que a cidade estava escura como breu.

Chamou o seu primeiro-ministro e ordenou-lhe: – Antes do natal quero ver a cidade toda iluminada. Toma lá 500 cruzados e trata já de resolver o problema.

O primeiro-ministro chamou o presidente da câmara e ordenou-lhe: – O nosso rei quer a cidade toda iluminada ainda antes do natal. Toma lá 250 cruzados e trata imediatamente de resolver o problema.

O presidente da câmara chama o chefe da polícia e diz-lhe: – O nosso rei ordenou que puséssemos a cidade toda iluminada para o natal.
Toma lá 100 cruzados e trata imediatamente de resolver o problema.

O chefe da polícia emite um edital a dizer: “Por ordem do rei em todas as ruas e em todas as casas deve imediatamente ser colocada iluminação de natal.  Quem não cumprir esta ordem será enforcado”.

Uns dias depois o rei veio à varanda e, ao ver a cidade profusamente iluminada, exclamou: – Que lindo! Abençoado dinheiro que gastei. Valeu a pena.

E foi assim que Portugal começou a funcionar … e, por incrível que pareça, parece que ainda funciona assim!

 

Dica de Ernesto Esteves.

Maestro e ministro: a diferença

cavaco e dias loureiro II

 

O vocábulo “maestro” vem do latim “magister” e este, por sua vez, do advérbio “magis”que significa “mais” ou “mais que”.

Na antiga Roma o “magister” era o que estava acima dos restantes, pelos seus conhecimentos e habilitações!

Por exemplo um “Magister equitum” era um Chefe de cavalaria, e um “Magister Militum” era um Chefe Militar.

Já o vocábulo “ministro” vem do latim “minister” e este, por sua vez, do advérbio“minus” que significa “menos” ou “menos que”.

Na antiga Roma o “minister” era o servente ou o subordinado que apenas tinha habilidades ou era jeitoso.

*COMO SE VÊ, O LATIM EXPLICA A RAZÃO POR QUE QUALQUER IMBECIL PODE SER MINISTRO … MAS NÃO MAESTRO !

 

Dica de Ernesto Esteves.

“Alegrai-vos porque já achei a minha ovelha perdida” (Lc 15:6); “Ovelhas perdidas foram o meu povo, esqueceram-se do lugar do seu repouso” (Jr 50:6).

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