Palavras perdidas (1410)

“A recente tentativa de repor o subsídio vitalício aos políticos, por exemplo, quando há portugueses a passar fome, é escandalosa! Se há dinheiro para repor, disse o bispo do Porto, “que se comece por quem tem menos”. Como era óbvio! À maneira dos protestantes – que dispensavam os santos como intermediários dirigindo-se directamente a Deus -, está na altura dos cidadãos dispensarem estas alimárias e decidirem em conjunto, como em Espanha com o “Podemos”, movimento criado pela sociedade civil. Ou como no Porto, por exemplo, com Rui Moreira, para grande sorte a nossa.”

(João Luís Barreto Guimarães, Jornal de Notícias)

O que faz perigar a democracia

Foto: José Caria (Expresso).  Teresa Santos, escrivã do Tribunal, no momento em que leu o comunicado com a decisão do juiz Carlos Alexandre.

 

Se Sócrates é culpado, que seja julgado e condenado, mas em breve. Se está inocente, que seja declarado como tal, igualmente em breve. Porém, o que estamos a assistir é ao linchamento público da figura, por via da comunicação social. Infelizmente nem sequer é caso inédito. Já aconteceu com outros.

Até ver, a forma como foi preso (tal e qual como aconteceu com Ricardo Salgado) terá sido ilegal. A Procuradoria deveria dar explicações ao país. Se o próprio aparelho judiciário não cumpre a lei, então estamos na lei da selva. Não seria o único, porque frequentemente os governos também não cumprem as leis que eles próprios criam. Mas aqui ainda é mais grave, por maioria de razão.

Sábado, ao princípio da noite, um petroleiro embateu num dos pilares da Ponte 25 de Abril, mas ninguém soube de nada porque a comunicação social estava em peso na “onda Sócrates”. Era mais importante tentar saber pormenores da acusação ou ter acesso a mais uma fuga de informação e quebra do segredo de justiça por parte do Ministério Público, do que conhecer esta notícia, que poderia ter dado em catástrofe, ou saber o que se estava a passar no país e no mundo.

O populismo justicialista anda aí, nas redes sociais e nas conversas de café, de braço dado com a inveja social. Se a pessoa em questão é (ou foi) poderosa, então tem que ser presa e enxovalhada, para gáudio do selvagem que há dentro de cada um de nós. Há uns quantos miseráveis políticos a escrever “aleluia!” nos blogues, e quem abra garrafas de champanhe para comemorar…

Bem vi o constrangimento de vários comentadores na televisão que, antes de criticar a forma como a justiça tem lidado (mal) com este caso, desde o princípio (p.e. chamando duas estações de televisão para filmar a prisão do ex-primeiro-ministro à chegada a Portugal, em pleno aeroporto), fizeram questão de se demarcar politicamente da figura. Ou outros que afirmaram calcular que no dia seguinte iriam ser arrasados nas redes sociais, apenas por defenderem questões de princípio, independentemente da pessoa em causa. Esta espécie de fascismo virtual é que nos deve preocupar.

Claro, ainda temos essa coisa chamada Estado de Direito, que é uma chatice, porque nos manda presumir a inocência dos arguidos até à conclusão do julgamento.

E adianta explicar que quem está a ser investigado pela justiça é o cidadão José Sócrates (que não conheço de lado nenhum) e não o político e ex-primeiro-ministro? Esse já foi julgado politicamente nas urnas em 2011.

Repare-se que o tribunal nem se deu ao trabalho de explicar ao país, no seu comunicado de ontem à noite, quais os fundamentos para a medida de coacção aplicada, e que é a mais gravosa do catálogo. Alguns magistrados continuam a portar-se como deuses e não como servidores da causa pública.

Não ponho as mãos no lume por ninguém, portanto, também não ponho por Sócrates, mas a vida em comunidade pressupõe uma ética pública a que todos os cidadãos estão vinculados, tenham eles mais ou menos poder.

O que põe em causa o regime democrático não é a prisão de um antigo primeiro-ministro. Se se provar de forma inequívoca a sua culpa até pode ser positivo. O que faz perigar a democracia é esta mentalidade fascista e a falta de transparência nos procedimentos dos poderes, sejam eles o executivo, o deliberativo ou o judicial.

Palavras perdidas (1409)

“Por muito que a prisão preventiva de José Sócrates choque muita gente, se o caso for sólido, se a investigação tiver fortes indícios e se a acusação for correta e ponderada, isto não é um abalo para a democracia. Bem pelo contrário, se todas estas premissas forem cumpridas, pode ser um reforço da democracia. O pior que pode haver para uma democracia é existirem atos de corrupção impunes. Mas atenção, há uma coisa ainda pior para a democracia: prisões decretadas sem razão conhecida, acusações por dedução e condenações em caso de dúvida.

E é exatamente aqui que estamos, numa fina fronteira entre o que existe – uma detenção, uma prisão preventiva e um rol de crimes graves – e o que não existe – o quem, o como, o onde e o o porquê é, já agora, o quanto. Era bom sabermos isto, mas arriscamos meses e meses de total ou relativa ignorância.”

(Ricardo Costa, Expresso)

 

7 invenções egípcias que permaneceram

Todos nós sabemos como os antigos egípcios foram de grande importância em toda a humanidade, contribuindo para o desenvolvimento das mais diversas áreas, como arquitetura, engenharia, escrita e contagem dos períodos por calendários.

É claro que as pirâmides e todo o seu legado formam o destaque desse povo da antiguidade. Mas não foram apenas elas que fizeram dos egípcios conhecidos por suas invenções, sendo que muitas perduram até hoje.

Essa que talvez tenha sido a civilização mais avançada que o mundo já conheceu nos trouxe artefatos, dispositivos e formas de fazer algumas coisas que muita gente nem imagina que foram eles que criaram. Confira abaixo quais foram algumas delas, de acordo com um artigo do How Stuff Works:

1 – Maquilhagem dos olhos

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Em todas as ilustrações contidas em sarcófagos, nas tumbas dos faraós, e qualquer outro tipo de local e documentos dos antigos egípcios em que se mostram pessoas, é possível observar com clareza que os olhos deles são destacados por um tipo de maquiagem com contorno definido.

Calcula-se que a criação da maquiagem dos olhos pelos antigos egípcios tenha acontecido por volta de mais de três mil anos antes de Cristo. E, desde então, pode-se dizer que o estilo nunca saiu de moda. O que é ainda mais interessante é que algumas culturas ainda utilizam técnicas egípcias de milhares de anos para criar os seus pigmentos para os olhos.

Para fazer essa maquiagem, que geralmente era negra ou verde (se combinado com o minério malaquita) muito escuro, os egípcios faziam uma pasta misturando óleos, galena (sulfeto de chumbo), fuligem de carvão. A essa mistura se deu o nome de Kohl (ou kajal) e não era restrita às mulheres, pois homens e crianças também usavam.

Além da parte ornamental, eles acreditavam que o Kohl protegia os olhos contra doenças e raios agressivos do sol. Porém, com o tempo passou a ser usado com mais frequência para a beleza, sendo que, quanto mais alta a classe social mais maquiagem usavam, como forma de poder. Cleópatra curtia muito.

2 – Calendário

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Sempre que você for verificar quando tempo falta para aquele tão sonhado feriado em um calendário, agradeça aos antigos egípcios (não pelo feriado, mas pelo calendário). Você consegue imaginar a bagunça que seria o mundo sem um sistema de contagem de dias, meses e anos? Um caos!

No antigo Egito também era, até que eles inventaram o sistema como uma forma de sobrevivência a princípio. Isso porque não saber o período da inundação anual do rio Nilo poderia acarretar as mais diversas tragédias, começando pela perda de plantações e, consequente, fome.

Por essa razão, eles criaram um calendário que era intimamente ligado à agricultura, dividindo-se em três estações principais: inundação, crescimento e colheita. Cada uma dessas estações tinham quatro meses, sendo que cada um era dividido em 30 dias.

A soma de todos esses períodos dava 360 dias, um pouco menos do que um ano real. Para compensar a diferença, os egípcios acrescentaram cinco dias entre as temporadas de colheita e inundação. Estes cinco dias foram designados como feriados religiosos reservados para homenagear os filhos dos deuses.

3 – Rebuçados de menta

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O desejo por um hálito fresco não é de hoje. Além da criação da pasta de dente (que veremos mais adiante), os egípcios podem realmente ter sido os responsáveis pela invenção das balinhas refrescantes de menta para dar aquela disfarçada em um possível bafo de bode dos faraós.

Naquela época, o mau hálito também era um sintoma de má saúde dental e de descuido. Porém, eles não tinham bebidas açucaradas e doces que causavam cáries, mas havia outras coisas que estragavam os dentes.

As pedras que eles utilizavam para moer a farinha para o pão se deterioravam na massa em areia e cascalho que acabavam sendo consumidos e desgastavam o esmalte dos dentes até expor a polpa, tornando vulnerável a infecção. O problema é que eles não tinham dentistas e nenhum tipo de cuidador dessa parte do corpo.

Então, os egípcios sofriam com dentes desgastados, gengivas doentes e dores, fatores que geravam um inevitável mau hálito. Para lidar com isso, eles inventaram as primeiras balinhas que eram uma combinação de incenso, mirra e canela fervidos com mel, e que eram moldadas em forma em pelotas.

4 – Bowling

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O ato de reunir os amigos e jogar uma partida de boliche pode ter começado bem antes do que podíamos imaginar, lá no antigo Egito. O esporte, que consiste em arremessar uma bola e derrubar os pinos, porém, era um pouquinho diferente, de acordo com alguns achados arqueológicos.

Em Narmoutheos, um assentamento que fica a cerca de 90 quilômetros ao sul de Cairo (datado do segundo e terceiro séculos depois de Cristo), foi descoberta uma sala contendo um conjunto de pistas e uma coleção de bolas de granito de vários tamanhos. De acordo com o How Stuff Works, o lugar parecia um protótipo de um salão de boliche da era moderna.

Ao contrário de boliche modo boliche atual, em que o objetivo é derrubar os pinos, os jogadores egípcios se esforçavam para acertar a bola em um buraco central. Os concorrentes se colocavam em lados opostos da pista e tentavam rolar as bolas de diferentes tamanhos nesse local e também podiam tentar acertar a bola do oponente para desviá-la do curso certo.

5 – A prática de barbear e cortar o cabelo

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Os egípcios não tinham muito paciência com pelos ou cabelos, por questão de higiene ou mesmo por não suportar o calor que eles podiam causar, devido ao local quente em que viviam. Possivelmente devido a essas questões, eles cortavam os cabelos bem curtos ou raspavam a cabeça regularmente.

E não era só isso. Muitos deles raspavam todos os pelos do corpo, como alguns sacerdotes, que realizavam essa depilação geral a cada três dias. O cuidado era tanto que, durante grande parte de sua história, ser barbeado era considerado elegante e ter pelos podia ser considerado um sinal de status social pobre.

Por essas razões, os egípcios foram pioneiros na invenção dos primeiros instrumentos de barbear, sendo que um deles era um conjunto de lâminas de pedra afiadas fixadas em cabos de madeira, sendo mais tarde substituído por lâminas de cobre. Como não podia deixar de ser, os egípcios também criaram a profissão de barbeiro.

Porém, um ponto interessante é que muito dos cabelos cortados eram utilizados para fazer perucas para os aristocratas ricos, que as utilizavam em ocasiões especiais. Barbas falsas também eram produzidas e utilizadas tanto por reis quanto cidadãos comuns, sendo que a realeza tinha o privilégio de barbas mais longas.

6 – Arado para plantação

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Como bons agricultores que eram, os egípcios foram aprimorando o sistema de plantio, sendo que o arado pode ter vindo dessa época, embora os historiadores não tenham certeza absoluta desse fato. As evidências sugerem que os egípcios e sumérios estavam entre as primeiras sociedades de empregar o seu uso por volta de quatro mil anos antes de Cristo.

As probabilidades apontam que esses objetos eram construídos a partir de ferramentas manuais modificadas, mas não eram capazes de escavar tão profundamente o solo como as versões mais modernas.

Pinturas antigas em murais ilustram um grupo de quatro homens puxando um arado através de um campo, o que não era uma boa ideia no sol escaldante do Egito. Tudo isso mudou por volta de dois mil anos antes de Cristo, quando os egípcios tiveram a ideia de amarrar os seus arados em bois.

Os primeiros modelos eram conectados aos chifres de gado, mas eles verificaram que interferia na habilidade do animal respirar. Já as versões posteriores incorporaram um sistema de correias e foram muito mais eficazes. O arado revolucionou a agricultura no antigo Egito e, combinado com o ritmo constante do rio Nilo, fez o cultivo mais fácil para os egípcios do que talvez qualquer outra sociedade da época.

7 – Pasta de dentes

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Conforme falamos anteriormente no item 3, as condições dos dentes dos egípcios não eram das melhores e eles sofriam com muitos problemas de desgaste e infecções. Mas, eles tentavam dar o seu jeitinho para manter os dentes limpos, na medida do que era possível naquela época.

De acordo com o How Stuff Works, os arqueólogos encontraram palitos enterrados ao lado das múmias, que foram aparentemente colocados lá para que eles pudessem limpar restos de comida entre os dentes em vida após a morte.

Os egípcios também levam o título de inventores, junto com os babilônios, das primeiras escovas de dentes, que eram pontas desfiadas de galhos de madeira no princípio. Porém, além de tudo isso, se tinha escova, tinha que ter pasta, então eles também foram creditados como os criadores do creme dental.

No entanto, a pastinha era bem diferente do que temos hoje, sendo que era uma mistura de ingredientes como pó de cascos de boi, cinzas, cascas de ovos queimados e pedra-pomes.

Provavelmente, o gosto era terrível, mas com tantos itens abrasivos, talvez até tirasse umas boas “cracas” dos dentes dos egípcios. Mais tarde, a fórmula foi aprimorada com sal-gema, hortelã, flores secas de íris e grãos de pimenta.

 

Fonte:  Humor Nerd, via Pavablog.

Palavras perdidas (1408)

“Quem cria mais postos de trabalho? O CDS ou o BE? O CDS, claro, que está no Governo e participa na distribuição dos boys e girls e com muito afinco. Chama-se a “quota” do CDS. Quem cria mais postos de trabalho? O PSD ou o CDS? Terrível problema para o CDS, que só chega ao poder encostado nos votos do PSD e já fez disso modo de vida. A resposta é: o PSD, claro. Quem cria mais postos de trabalho? O CDS ou a Remax? A Remax claro, uma multinacional cujo nome Portas acabou por misturar nestas justificações, fazendo-lhe publicidade gratuita. Que se saiba, Portas ainda não vende casas na Micronésia, onde a Remax actua. Quem tem uma “marca” de maior prestígio e maior valor de mercado? Portas ou a Remax? A Remax, que ainda não é “irrevogável”.

(José Pacheco Pereira, Público)

“Alegrai-vos porque já achei a minha ovelha perdida” (Lc 15:6); “Ovelhas perdidas foram o meu povo, esqueceram-se do lugar do seu repouso” (Jr 50:6).

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