Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 10, 2010

O arqueiro

Inédito do poeta J.T.Parreira

O arqueiro e a leiteira, Andries Stock.

O arco retesa-se para trás
retém o impulso da flecha

Um silêncio aguarda
da haste florida
o silvo agudo

Nas mãos do arqueiro
o dom
de dar ao vento a frecha
que o perfure

Das mãos do arqueiro
o equílibrio
entre o presente e o futuro.

8-2-2010

J.T.Parreira

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 10, 2010

Isto está cada vez melhor…

Deus nos livre de uma “república de juízes”, mas uma “república de jornalistas” não é melhor. O director do “Sol” declarou que: “O que está em causa é que a cúpula do aparelho de justiça tentou esconder e camuflar as escutas.” Ora bem, temos aqui uma acusação inédita e gravíssima contra o Supremo Tribunal de Justiça e o Procurador-Geral da República. E agora? Isto fica assim? José António Saraiva prova o que disse e há cabeças a rolar na cúpula do sistema judicial, ou não consegue provar e a Justiça faz o que lhe compete e processa este senhor. Se nada acontecer é porque já perderam todos a vergonha. Magistrados e jornalistas.

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 9, 2010

O poeta foi à escola

(Na descoberta casual de que o meu velho amigo e mestre na Poesia, J.T.Parreira, frequentou a mesma escola do Ciclo Preparatório que eu, a Nuno Gonçalves e a mesma Escola Primária do Vale Escuro, em Lisboa.)

O poeta foi à escola
procurar a luz no Vale Escuro
aprendeu letras que falam
e números que contam
aprendeu os truques admiráveis
do lápis criador
fez borboletas que voam
e cães que ladram
no papel

descobriu que há lá muitos meninos
alvos como a neve
pontilham o pátio do recreio
saltam como os filhos da corça
roem um pedaço de pão com marmelada
mas são soldados alinhados na porta
à hora da aula

batem-se contra uma ardósia gigante
- com espadas de giz branco -
sentem o horror do vazio
face ao quadro negro

o poeta voltou a casa
à hora do almoço
a sorrir para dentro
na ruminação das aventuras
e novas descobertas
do dia.


Brissos Lino
(originalmente publicado em Poeta Salutor)
20/1/10

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 9, 2010

Palavras perdidas (577)

“Na visão bíblica, a espiritualidade não está fragmentada. Por isso, ela tem sido tão distinta dos conceitos modernos de espiritualidade, tanto no mundo oriental quanto no ocidental, e, infelizmente, até em alguns meios evangélicos. A verdadeira espiritualidade não está fragmentada, porque diz respeito ao homem como um todo, em cada um dos momentos da sua vida. Para além da resistência contra esta perspectiva bíblica verdadeira, boa parte do mundo evangélico tem sido platónico, no sentido de que ele tem dado demasiado ênfase à alma, em detrimento da pessoa total, incluindo corpo e intelecto.
Se é que há espiritualidade verdadeira, ela deve abranger tudo. E a verdadeira espiritualidade consiste em ter um relacionamento adequado com o Deus que está aí; primeiro através do acto único e suficiente da justificação; segundo, por estar naquele relacionamento correcto, como uma realidade contínua, momento a momento. Este é o ênfase dado na Bíblia à verdadeira espiritualidade. Trata-se de um relacionamento adequado e continuado, a cada instante da vida, com um Deus que existe de facto”.

(Francis Schaeffer, O Deus que intervém, p.218-221, via Ab-integro)

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 8, 2010

A Idade Ontológica da Igreja

“Quem caminha no sentido oposto ao Ser caminha para o nada.”
(Santo Agostinho)

Os últimos dois mil anos, período da história em que se inscreveu o Cristianismo, são riquíssimos e têm constituído objecto de aturada investigação. O tipo de organização temporal que passaremos a propor aqui não será muito ortodoxo segundo os cânones, mas cremos que a Igreja passou por diversas fases ou idades, do ponto de vista histórico, ao longo destes dois milénios.

Antes de mais, a Igreja terá experimentado uma Idade da Conquista.
Foi uma época de expansão do Evangelho, que começou com a perseguição de Jerusalém e subsequente diáspora dos cristãos pelas terras dos gentios, levando a boa semente do Evangelho. Depois continuou com as longas viagens missionárias do apóstolo Paulo, instrumento usado por Deus, que assim universalizou a fé cristã, ao fixar inúmeras igrejas locais e consolidar outras entretanto fundadas.
Tratou-se ainda de uma época de reacção contra as múltiplas heresias que surgiam, quer de inspiração pagã, quer judaica e que faziam perigar uma fé emergente que ainda não dispunha de cabedal doutrinário significativo.
Finalmente prosseguiu com o esforço de evangelização e de resistência às recorrentes perseguições do poder imperial de Roma nos primeiros séculos da era cristã, até ao Édito de Milão, que abriu aos cristãos o direito formal de existirem e cultuarem o seu Deus em todo o império.

Seguiu-se, a partir da suposta conversão de Constantino, aquilo a que podemos chamar a Idade do Poder.
Foi a instituição do Cristianismo, por decreto imperial, como religião oficial do império. Foi, mais tarde, o combate contra o Islão, essa nova fé que se afirmava pela força das armas, a partir do século VII.
No virar do milénio teve a Igreja que se debater não tanto contra um inimigo externo mas com uma séria divisão que ficou para a história como o cisma do Oriente e que a dividiu até hoje.
Foram as Cruzadas, a pretexto de libertar a Terra Santa e de combater os muçulmanos.
Veio a suceder uma nova divisão, através da Reforma protestante que varreu o norte e o centro da Europa a partir de 1517.
Mas a Igreja lutou também contra o Iluminismo, contra o secularismo e outros ismos considerados inimigos da fé.
Todos estes combates foram motivados pelo objectivo de Roma, a manutenção do poder da Igreja, em especial a partir da Contra-reforma e seus instrumentos repressores, que foram mais usados para o reforço do poder do papado do que em defesa da ortodoxia da fé. Com a sua organização imperial, Roma tornou-se o maior poder da Europa e o Papa o grande imperador do velho continente.

No tempo presente, porém, podemos dizer que a Igreja está na sua Idade Ontológica.
Neste momento a Igreja parece estar fora de tempo, pois continua a trabalhar segundo o modelo da segunda fase, quando se encontra já na terceira.
Isto é, o mundo está evangelizado, em grande parte e os princípios cristãos são conhecidos, em grande parte. Já não se está no tempo de conquistar espaço, nem no tempo de exercer o poder (se é que alguma vez se esteve), mas de, apenas, ser igreja, mas agora num mundo pós-moderno.
Tempo de ênfase no Ser e não no Parecer, no Ter ou no Poder. Tempo de falar menos e viver mais. Tempo de menos doutrinação e mais devoção. Tempo de deixar de lutar pelo controlo do Templo e de passar a acender luzes na cidade.

Dificuldades particulares
Talvez esta seja a fase mais difícil para efeitos de mobilização dos fiéis. Como mobilizar pessoas sem ser numa lógica de cruzada, de conquista, de missão evangelizadora, de preservação da ortodoxia ou de manutenção do poder?
Como fazê-las vibrar apenas (?) com a ideia de serem elas mesmas, de deixar que Cristo seja visível através da sua vida, sem qualquer propósito de estabelecimento de impérios?
Como semear nelas uma atitude de empenho pelas coisas espirituais, com o único objectivo de serem parecidas com Cristo? Só mesmo virando-nos cada vez mais para o “autor e consumador da fé”, para a pessoa de Cristo, para a intimidade com o Salvador. Só através da redescoberta da paixão por Ele, de voltar ao primeiro amor.
Tal como um ser humano, a Igreja passou por uma fase de crescimento acelerado, de expansão, de afirmação, que corresponde ao tempo da infância e juventude. Depois passou à fase do poder, da reacção aos perigos, que corresponde à idade adulta e neste momento está na fase da maturidade.

A Igreja face aos desafios da contemporaneidade
A única resposta convincente ao relativismo pós-moderno é uma vivência eticamente rigorosa da fé cristã, num quadro de cidadania responsável, de missão integral.
Embora devamos estar sempre prontos a dar testemunho da nossa fé e das suas razões, a verdade é que a dialéctica cristã, ou mesmo a apologética, de pouco servem num mundo despojado de valores civilizacionais.
Ou seja, a nossa civilização foi construída sobre fundamentos judaico-cristãos e isso de pouco serve, agora que a sociedade já não se reconhece neles, continuando a afastar-se dos seus constructos fundamentais e a entregar-se a uma orgia hedonista, individualista e relativista.

Conclusão
Não quero com isto dizer que estas fases da história da Igreja, ou idades, sejam rigorosamente estanques, mas talvez nos ajudem a compreender a mudança de paradigma que enfrentamos hoje. O desafio dos cristãos contemporâneos é essencialmente viverem o Cristianismo bíblico, serem imitadores de Cristo, deixarem-se guiar pelo Espírito Santo de modo que o Cristo que está neles possa transparecer, mas de forma natural.
É claro que a Igreja precisa, hoje e sempre, de continuar a evangelizar, a fazer Missão, mas precisa, acima de tudo, de revelar a sua natureza em Cristo. Dir-me-ão que evangelizar ou missionar é justamente isso, declarar a pessoa de Cristo, mas nem sempre foi assim, na prática, como se sabe. Quando se falava em “dilatar a Fé e o Império” não era nisto que se pensava…
A verdade é que num mundo de valores decadentes já ninguém vai bater palmas à nossa doutrina, teologia ou ortodoxia, por mais excelente que possam parecer, mas o testemunho pessoal de cada cristão continua a constituir a mais eloquente pregação dos nossos dias.
O velho orgulho denominacional da “sã doutrina”, o recurso legitimador de recorte político e oportunista à memória dos “pioneiros” já não cola, no discurso feito para dentro e muito menos para fora.
As palavras de Agostinho de Hipona tornam-se assim, hoje, cada vez mais actuais. Se a Igreja não caminhar no sentido do Ser tornar-se-á inócua e niilista. Isto é, deixa de ter serventia.
Deus nos ajude a despertar.

Brissos Lino (Fevereiro de 2010)

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 8, 2010

Faça sexo, dizem eles…



Estudo americano afirma que ter relações sexuais duas vezes por semana ajuda a diminuir a incidência de diabetes, de colesterol e a reduzir a tensão arterial
(Dos jornais).

A América proclama
Com muita satisfação
Ter descoberto um remédio
Óptimo p’ro coração

Simples, barato e bem bom
Parece que é fazer sexo
Acaba com diabetes
Apesar de não ter nexo

Domina o colesterol
Controla bem a tensão
Dá saúde e alegrias

Lá por baixo do lençol
Basta que haja confusão
Por semana só dois dias…

Manuel Sadino
28/1/10

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 8, 2010

Palavras perdidas (576)

“De que adianta o conhecimento mais profundo se tivermos os corações mais superficiais?”

(Leonard Ravenhill)

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 7, 2010

As mães ralham às vezes

“A minha mãe ralhava assim como quem beija.”
(Sebastião da Gama, “Também eu, também eu”…)

As mães ralham às vezes
entre dois afagos de voz
descobrem caminhos inauditos
por entre os seus cuidados
e mesmo quando ralham
com as mãos
há um coração estremecido
que aguarda
na algibeira do silêncio

As mães não ralham como
os outros
usam o cajado da ternura na protecção
dos cordeirinhos.

Brissos Lino
6/2/10

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 7, 2010

Palavras perdidas (575)

“O fruto do Espírito não é entusiasmo nem ortodoxia; é carácter.”

(G. B. Duncan)

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 6, 2010

O dinheiro e a vida

Os portugueses mais ricos e com mais escolaridade vivem em média mais dez anos que os mais pobres. Esta é uma das conclusões da tese de doutoramento do enfermeiro e sociólogo Ricardo Antunes, que estudou dois mil óbitos ocorridos num hospital de Lisboa e noutro do Alentejo. Os números, apesar de inéditos em Portugal, acabam por quantificar a percepção que os médicos têm pelo contacto com populações mais pobres e mais ricas, adianta o DN.

Para justificar essa diferença na longevidade, os médicos encontram várias explicações. Que não têm só a ver com o poder económico. “É uma questão de literacia, de assumir a responsabilidade que cada um tem na construção da sua própria saúde”, defende Helena Cargaleiro, directora do centro de saúde da Venda Nova, na Amadora.

Fonte: Mundo Sénior.

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 6, 2010

Alma livre

Escreveu Victor Hugo que “O homem é uma prisão em que a alma permanece livre”. Nem sempre, digo eu. Se calhar a maior parte das vezes o homem é uma prisão justamente porque a alma está presa… Jesus disse “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Libertar na dimensão holística, do homem todo.

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 6, 2010

Palavras perdidas (574)

“Tanto a pureza quanto o perdão são desejados por todos os que verdadeiramente se arrependem”.

(Andrew Fausset)

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 5, 2010

Os pides andam à solta

Os novos pides andam à solta. O SOL publica escutas telefónicas e chama a isso “investigação jornalística”. Ver aqui. Este pais começa a meter nojo, tal é a falta de princípios quer de políticos quer de jornalistas. Leia também aqui.

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 5, 2010

Lágrima

Um inédito do Poeta J.T.Parreira.

No veían la lágrima
Jaime Gil de Biedma

Estava no coração
Inteira
pérola de profundidade
na corrente do sangue
Imóvel
até chegar ao centro do olho, indecisa
entre não se render
e desnudar a transparência da visão
A lágrima
com a sua lentidão de raiz.

J.T.Parreira

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 5, 2010

O Fórum

O Fórum Municipal Luísa Todi comporta em si vocação para vir a tornar-se, num futuro próximo, a grande sala de espectáculos de Setúbal.
Desde os tempos do Teatro Rainha D. Amélia, de finais do século XIX, passando pelo Cine-teatro Luísa Todi, adquirido pelo município em 1990, esta sala tem condições físicas, de localização, acessos e história para se constituir como interessante hall cultural da cidade.
Concluída a presente reconstrução, só depois se poderá avaliar se esta opção terá sido a melhor. Estou em crer que sim, ao contrário do hospital, que deveria ter sido construído de raiz, em vez de ampliado, por uma série de razões que já em tempos tive oportunidade de expor.
A fórmula encontrada para desencadear o processo da reconstrução – Liga dos Amigos do Fórum –, dando espaço, voz e responsabilidade às forças vivas da cidade e desafiando os mecenas, também parece adequada, tendo em vista a força de que a cultura e o associativismo dispõem neste concelho.
Segundo declarações recentes da presidente da Liga, a este jornal, está já assegurado o financiamento do resto da obra e não se prevêem novas dificuldades técnicas, inesperadas, do tipo das que atrasaram o processo, de modo que se admite a possibilidade de o próximo Festróia poder vir a decorrer já na renovada sala.
Há muito que escrevo que Setúbal necessita de algumas infra-estruturas que não tem (ou não estão em condições) para se voltar a afirmar como cidade relevante. Esta é uma delas.
Segundo o projecto apresentado a público, além do auditório principal, destinado a espectáculos com maiores exigências, em breve será possível realizar no mesmo edifício eventos de reduzida dimensão, e a cidade ganha um espaço nobre para exposições de arte. Ou seja, procurou-se – e muito bem – maximizar e potenciar um espaço de eleição.
Mas fica aqui uma nota de prevenção para o futuro. Mantenha-se este espaço devidamente cuidado e preservado, com alguma dignidade. Não quero significar, com isto, a defesa de uma cultura elitista, mas defenda-se minimamente o bom gosto.
A cantora Luísa Todi, ilustre setubalense e madrinha desta casa, merece-o.

Fonte: Brissos Lino, O Setubalense, 5/1/10.

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 5, 2010

Palavras perdidas (573)

“O amor é o uniforme de Cristo.”

(C. H. Spurgeon)

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 4, 2010

E agora, Chavèz?

Será que o Chavèz também vai dizer que este sismo na Califórnia foi provocado pelos… americanos, como disse sobre o do Haiti? Ler aqui.

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 4, 2010

Agora entendo…

Agora entendo as palavras de Alberto João Jardim à saída do Conselho de Estado, dirigidas aos jornalistas: “Um bom Carnaval a todos.”  O que se está a passar é um autêntico carnaval…

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 4, 2010

Mar crespo…

Tubo de ensaio. A ler, aqui.

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 4, 2010

É tão mau um jornalista fazer política como um político fazer jornalismo

Vale a pena ler a nota do Director do JN, a propósito do caso Crespo. Aqui.

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 4, 2010

Homofobia

Raramente concordo com o João César das Neves, mas desta vez estamos de acordo. Ler aqui.

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 4, 2010

Sopa de letras

“Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo”
(Salomão, Provérbios, 25,11)

As palavras comem-se
quando se amam
ingerem-se entre sensações
de prazer
com gozo degustam-se na boca
de olhos fechados
como ostras
para apreciar melhor

nem sempre revelam
o mesmo sabor
depende da confecção
dos ingredientes em que
mergulham
que lhes dão cor
sentido
textura

sozinhas não pesam muito
mas casadas umas com as outras
revelam-se elevado repasto
para os sentidos
dos esclarecidos apreciadores
de palavras

usadas na devida conta
nem de menos nem de mais
são autênticas maçãs
de ouro
na mesa do rei.

Brissos Lino
26/1/10

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 4, 2010

Palavras perdidas (572)

“O amor verdadeiro começa lá… onde não se espera mais nada em troca.”

(Antoine de Saint-Exupéry)

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 3, 2010

Um homem sem papas na língua

“Política portuguesa é reles”, afirmou Silva Lopes. Ler aqui.

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 3, 2010

Mofina Mendes

Trabalho feito em linóleo, pelo autor, no Ciclo Preparatório (1964).

“Das vacas morreram sete,
e dos bois morreram três.”

(Gil Vicente, Auto de Mofina Mendes, 1515)

Onde estão as cabras,
ó pastora?
perdeste o gado de teu pai
ficou um pote de azeite
besuntado de sonhos
ingénuos

Ó infeliz mulher,
agora deste com o pote
em terra!
os sonhos de barro
também estilhaçam
quando não se repara
nas súbitas pedras
de uma vereda traiçoeira
nas charnecas
da vida.


Brissos Lino

1/2/10

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 3, 2010

Palavras perdidas (571)

“Será absurdo crer que um único ser humano, um ponto minúsculo num planeta minúsculo, possa fazer a diferença na história do Universo?”

(Phillip Yancey)

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 3, 2010

Crespo terá faltado à verdade

Não há inocentes nesta estória. Crespo terá faltado à verdade para depois se vitimizar, dizendo-se objecto de censura. Para quem é testemunha da inefável Manuela Moura Guedes num processo contra Sócrates não está mal… Quanto ao que de facto se terá passado no restaurante, Nuno Santos desmente o relato dos factos da forma como MC os apresentou a público. Cada um tire as suas conclusões. Sócrates já sabemos quem é. Mário Crespo é que ainda não, ao que parece…

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 2, 2010

Retrato nu e cru

Se um extraterrestre tivesse chegado hoje a este cantinho à beira-mar plantado, concluiria que somos um país de políticos medíocres, de governantes incompetentes, de jornalistas presunçosos e de uns quantos pides e coscuvilheiros metidos pelo meio, à escuta, para ir fazer intriga…

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 2, 2010

Morreu uma poetisa

Morreu uma poetisa, a Rosa Lobato Faria (1932-2010). Actriz e escritora. Conheci-a pessoalmente num programa de televisão em que ambos participámos, há uns bons anos. Fica a sua escrita, de que o poema seguinte é uma amostra.


Imaginação

A imaginação é magia e é arte
que nos faz inventar, sonhar e viajar.
Com imaginação podemos ir a Marte
ou ao centro da Terra, ou ao fundo do mar.
Com imaginação nunca estamos sozinhos.
A imaginação é um voo, um lugar
onde temos amigos, onde há outros caminhos
nos quais, sem te mexeres, podes ir passear.
Inventa uma cantiga, um poema, um desenho
um arco-íris, um rio por entre malmequeres;
esse lugar é teu, sem limite ou tamanho.
A esse teu lugar, só vai quem tu quiseres.

Rosa Lobato Faria

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 2, 2010

Os árbitros não são cristãos


Os árbitros não são cristãos
Diz o treinador Machado
Logo que findou um jogo
Que o deixou agastado

Esqueceram os princípios
Da catequese, afinal
Diz após perder o jogo,
Derrotado o Nacional

Misturar Deus e a bola
Era só o que faltava
Metê-las no mesmo saco

E com esta carambola
Já que lhe saiu a fava
O Manel ficou tramado…


Manuel Sadino

31/1/10

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 2, 2010

Ideias inovadoras e criativas, precisam-se

Ora aí está uma boa ideia inovadora e criativa, com aplicação nas grandes cidades. Espero é que não a estraguem. Aqui.

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 2, 2010

A Madeira é que nos devia pagar…

Em vez de andar distraído com a novela Mário Crespo (agora é que ele vai ser famoso…), o pessoal devia era destacar declarações corajosas como a de Vítor Bento ao Ionline, como estas, aqui. Mas disso ninguém fala, nem o PS. Têm medo de quê?

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 2, 2010

Resoluções


“(…) montaram consultórios para resolver as pessoas.”

(Inês Pedrosa, Nas Tuas Mãos)

Estou resolvido a resolver
as minhas resoluções
ainda em aberto
dúvidas que me habitam
o peito
e se escondem
por entre os miolos
como gralhas maçadoras

o tempo voou
o vento mudou
e resolvi que não resolvo
afinal
a resolução fundamental

Pronto…
estou resolvido!


Brissos Lino

29/1/10

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 2, 2010

Palavras perdidas (570)

“Felicidade é a certeza de que a nossa vida não se está a passar inutilmente.”

(Erico Veríssimo)

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 1, 2010

O último dos Moicanos… um pouco encrespado

Era uma vez um jornalista a quem uma língua coscuvilheira veio dizer que uns senhores governantes tinham estado a falar muito mal dele, à mesa de um restaurante. Vai daí escreveu numa coluna de jornal tudo o que lhe apeteceu a esse respeito, desancando os tais senhores. Como o jornal recusou o texto, que não passava de uma chusma de acusações gratuitas, sem provas, vai daí pôs-se frente ao espelho e transformou-se numa espécie de último bastião da liberdade em Portugal.

Este jornalista devia saber que nem todos os portugueses apreciam as suas inefáveis qualidades profissionais. Nem apreciam que, sendo jornalista, escreva uma coluna de opinião constantemente a desancar o governo. Também devia saber que os governantes não comem sabonetes. E já agora devia deixar de emprenhar pelos ouvidos. É que fica mal a um índio moicano, que é macho, emprenhar, mesmo que seja por um sítio menos convencional…

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 1, 2010

Moralidade e religião

Fonte: Pavablog.

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 1, 2010

Coisas poéticas

Mão amiga fez-me chegar a “relíquia”. Um poema meu publicado pelo jornal O Setubalense, há quase trinta anos (20/5/81).

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 1, 2010

Louvor Supersónico


Senhora muito prendada! De 26 a 30 de Outubro teve direito a um louvor. Com dois despachos no mesmo dia, consegue currículo e um louvor pelo seu “alto nível” de desempenho. E assim se governam eles, os familiares e amigos, à custa do suor dos contribuintes. Qual será o parentesco ? Que serviços prestou? Quais as habilidades dela? Quando será nomeada Secretária de Estado? Vai ter um futuro brilhante.

Colaboração: Lídia Lino.

Publicado por: A Ovelha Perdida | Fevereiro 1, 2010

Palavras perdidas (569)

“O que é difícil é dizer aos trabalhadores toda a verdade: nós não produzimos o suficiente para podermos continuar a aspirar à qualidade de vida a que nos habituámos. E, portanto, ou nos dispomos a melhorar a nossa produtividade, e a qualidade do que fazemos ou teremos de nos adaptar à ideia de que no futuro seremos mais pobres e mais infelizes, mesmo que essa pobreza e essa infelicidade devam ser mais bem repartidas.”

(João Marcelino, DN, 30/1/10)

Publicado por: A Ovelha Perdida | Janeiro 31, 2010

A república dos banqueiros

A “Ovelha” acha interessantíssimo que o presidente da Comissão das Comemorações do Centenário da República seja um banqueiro. Em especial quando os banqueiros ultimamente têm dado a “barraca” que se sabe…  Se estivéssemos na Monarquia seria um sindicalista, talvez…

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