Biblioteca

A man browsing for books in Cincinnati's cavernous old main library. The library was demolished in 1955. History in Pictures.

 

 

Arranha-céus de folhas encadernadas

resmas de palavras e silêncios

estórias sobrepostas em desvairados mundos

com sangue e lágrimas dentro

uns quantos sorrisos de criança perdidos lá

pelo meio

e as paixões de amor e ódio a temperar

tais dias. Uma forma como outras

de alcançar o céu.

 

 

© José Brissos-Lino

31/10/14

 

Haja saúde

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No dia 29 de Setembro, o Serviço de Urgência do Hospital do Barreiro, integrado no Centro Hospitalar Barreiro Montijo, excedeu mais uma vez a capacidade de resposta às necessidades de internamento da população e recusou internar doentes, assumindo a sua incapacidade de receber mais utentes devido a sobrelotação e, mais uma vez, fechou portas.

O Sindicato dos Enfermeiros justificou esta situação caótica devido à “incapacidade de internamento de mais utentes, decorrente da imposição do Ministro Paulo Macedo, de redução do número de camas no CHBM, agravada pela carência de enfermeiros no SU.“

O facto de a urgência do Barreiro ter entrado em ruptura pareceu basear-se na falta de profissionais de enfermagem, que poderia ser ainda agravada por despedimentos dos subcontratados, o que não se compreende, já que aqueles profissionais chegam a trabalhar “16 horas consecutivas, por períodos que chegam a ultrapassar os 15 dias, estando muitos à beira da exaustão”, segundo o sindicato.

O ministro da Saúde tomou algumas medidas correctas de racionalização dos recursos e na área do medicamento, por exemplo, mas tem conseguido passar entre os pingos da chuva, graças ao descalabro de outros ministérios que chamam a si as atenções pelos piores motivos, como a Educação e a Justiça. Paulo Macedo tem boa imprensa e evita dizer disparates, o que o deixa numa posição confortável, mas a verdade é que o SNS anda mal e continua em processo de destruição gradual, em benefício dos privados, como se sabe.

A falta de pessoal nos centros de saúde tem assumido proporções incomportáveis. A qualidade de vida está a baixar devido à extinção e redução dos cuidados de saúde. Há idosos que não têm dinheiro para ir mudar os pensos devido ao valor das taxas moderadoras, doentes crónicos que não conseguem pagar os medicamentos e muitos utentes que só conseguem uma consulta lá para as calendas gregas.

A saúde de um país faz-se com medicação, tratamentos e exames complementares de diagnóstico, é certo. Mas faz-se sobretudo com pessoas. Profissionais qualificados e motivados, que têm condições para se actualizar sobre o estado da arte na sua área de especialização.

Mais. A saúde e a qualidade de vida dum país constrói-se de forma inteligente, através da prevenção da saúde e não tanto da medicina curativa. Infelizmente vê-se muito pouca prevenção, feita pelos técnicos do SNS e não apenas pelas sociedades científicas.

É pena, pois assim vamos piorar os padrões já alcançados e andar de cavalo para burro.

 

Fonte: José Brissos-Lino, 31 de Outubro de 2014.

 

“Alegrai-vos porque já achei a minha ovelha perdida” (Lc 15:6); “Ovelhas perdidas foram o meu povo, esqueceram-se do lugar do seu repouso” (Jr 50:6).

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