Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 9, 2008

Afinal sempre havia apito…

O Boavista desce de divisão e é condenado a pagar multas pesadas, o FCP perde pontos e é igualmente multado, Pinto da Costa e João Loureiro ficam suspensos. Ora digam lá que não há corrupção no futebol português…

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 9, 2008

Poemas de Guantánamo, ou o grito dos injustiçados

No Poeta Salutor. Aqui.

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 9, 2008

O último crime da Junta Militar

O Tribunal Penal Internacional ou a comunidade internacional não deveriam considerar como criminosos os militares que mantêm a Birmânia sob ditadura feroz? Como é que se pode fechar o país à ajuda humanitária internacional quando se acabou de sofrer cem mil mortos e há fome e epidemias em desenvolvimento? Aqui.

Actualização: também aqui.

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 9, 2008

Ser judeu, segundo Amos Oz

Pelo olhar de Fernanda Câncio. Aqui.

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 9, 2008

“Ele tinha imenso medo das pessoas que acreditavam em Deus.”
Kenzaburo Oé

Como o avassalador Sol do meio-dia
ou um manto branco de luar
que cobre a noite toda
como o rio nervoso e revolto
ou a imensidão de um lago aquietado
como a solidez esmagadora da montanha
ou um vale estreito e verde
bordado de encantos floridos
como o elefante majestoso
ou uma garça graciosa no sapal
assim é o homem que crê

assim se vê a força da fé
o vento indomável que faz da vida
sentido e propósito
e a estica para lá do impossível
nos interstícios de Deus.

Palmela, Maio de 2008

© Brissos Lino

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 9, 2008

O nazi Fritzl

O monstro austríaco de quem se tem falado ultimamente, Josef Fritzl, o homem que sequestrou, durante 24 anos, uma filha e a submeteu a violações, de que resultaram vários filhos, terá ameaçado introduzir gás na cave onde as vítimas viviam, caso lhe acontecesse algo. Tal circunstância não pode deixar de nos trazer à memória o método de eleição do poder nazi alemão para aplicar a chamada “solução final”, o extermínio dos judeus pelo III Reich.
O caminho mais fácil é considerá-lo de facto uma pessoa com debilidades mentais, um psicopata, pois assim descansaríamos a nossa angústia de tentar preservar a condição humana em níveis aceitáveis de dignidade. O seu advogado, ensaiando uma estratégia de defesa, já veio dizer que Fritzl não é um monstro mas uma pessoa.
A segunda hipótese é considerá-lo efectivamente um monstro, isto é, alguém que terá perdido parte da sua humanidade, uma espécie de aberração humana, e assim também conseguimos viver com a situação.
O grande problema em lidar com casos como este é o de colocar em causa a concepção humanista que vem desde o Renascimento e se reforçou com a Revolução Francesa e o Iluminismo, ou seja, a glorificação do ser humano.
Ora, a verdade é que, como alguém disse, o homem é capaz de executar o acto mais altruísta, mas também o mais vil.
Josef Fritzl, actualmente com 73 anos, tinha sido preso há 40 anos por violar uma mulher, quando já era casado e pai de quatro filhos.
Segundo Fernanda Câncio, num caso destes “não podemos falar de aumento de penas nem de mais polícia nem vociferar contra ‘a insegurança’. Numa história como esta só podemos olhar para o rosto de Fritzl e tentar decifrar-lhe os sinais, aqueles que deveriam ter alertado toda a gente para o monstro que ali estava, e perceber que não havia maneira, que não há maneira. Nem de perceber - porque se no lugar da filha ainda nos conseguimos projectar, não há forma de pensar como será estar no dele, ser ele - nem de prevenir nem de evitar nem de adivinhar quando e como e porque é que estas coisas acontecem. Nem de encontrar castigos que apazigúem o nosso medo, e a dor e a perda horríveis, tenebrosas, destas vidas. Nenhum sistema penal ou moral nos responde a isto, nada nos protege deste mal. Porque está dentro. Das nossas casas, da nossa família, de tudo o que devia ser seguro e certo. De nós. Porque é humano, tão pavorosamente humano.”

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 9, 2008

Próximo do Paraíso, de Rui Serodio

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 9, 2008

Isto só lido…

Castas sociais? Aqui.

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 8, 2008

Palavras perdidas (46)

“Ou o PSD recupera a credibilidade, ou não conseguirá voltar a ser alternativa a José Sócrates, para ir para o Governo fazer mais ou menos o mesmo que ele. É todo o nosso conceito de democracia que está em perigo.”

Ricardo Araújo Pereira, na Visão.

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 8, 2008

C. S. Lewis à conversa com operários ingleses

Respostas dadas por Lewis a questões formuladas por operários da Electric and Musical Industries Ltd., Heyes, Middlesex, Inglaterra, a 18 de Abril de 1944. Aqui.

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 8, 2008

Em meu nome falo eu…

Já sabíamos que o PCP gosta de falar em nome do povo. Mas em meu nome falo eu. O líder parlamentar comunista diz que a moção de censura hoje apresentada contra o governo “chumbou na AR, mas é aprovada no país”. Eles insistem em falar em nome do país. Temos pena, mas as projecções de voto anunciadas há dias diziam exactamente o contrário, davam o PS a roçar a maioria absoluta. Temos pena, mas esta é a verdade…

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 8, 2008

A outra face da China

No oitavo dia, do oitavo mês, do ano terminado em 8 – dia 8 de Agosto de 2008 – exactamente às 08:08:08 da noite, dar-se-á início aos Jogos Olímpicos em Pequim. O confucionismo e as religiões populares chinesas acreditam que fazer-se coincidir o dia e a hora é uma forma de atrair a sorte.

De facto, para além das reivindicações políticas tibetanas, estes Jogos Olímpicos podem também tornar-se num fórum internacional onde a crescente presença e ambição dos grupos religiosos pode ser também exposta ao mundo. E isto porque contrariamente ao que podia supor-se, de acordo com uma pesquisa de 2006 levada a cabo pela Pew Global Attitudes Project, 31% dos chineses considera a religião como muito importante nas suas vidas. Entre todos os inquiridos, somente 11% disseram que a religião não tem qualquer importância para eles. A surpresa destes números reside no facto de espelharem uma realidade que poderia não coincidir com a imagem de um país secularista e de filosofia ateísta, desde há praticamente seis décadas. Ainda de acordo com a mesma fonte, as principais correntes religiosas trazidas de fora com expressão na China são o budismo, o cristianismo (protestantismo e catolicismo) e o Islão.
O budismo representa entre 11% e 16% da população.

No cristianismo, protestantes e católicos valem, juntos, 4% da população e, de acordo com os números adiantados pelo governo chinês, o número de cristãos aumentou de 14 milhões para 21 milhões – 50% – em menos de 10 anos. Mas os números e crescimento entre protestantes e católicos são diferenciados: durante esse período, os protestantes aumentaram de 10 milhões para 16 milhões – um aumento de 60% – e os católicos de 4 milhões para 5 milhões – um aumento de 25%. Diga-se ainda que o número de cristãos protestantes cresceu 20 vezes desde que chegou à China no século XIX. E isto sem mencionar os milhares de grupos que se reúnem em casas sem o reconhecimento oficial e aprovação do Estado…
Já o islão representa somente 1,5% da população chinesa.

É interessante ver agora se o comunismo chinês se adaptará às forças do mercado religioso, tal como parece estar a ajustar-se às forças do mercado económico.

Fonte: Luís Seabra Melancia em Re-ligare.

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 8, 2008

O dono do céu

“Mas o céu era belo
Quando à noite o seu dono o acendia.”

Miguel Torga, Orfeu Rebelde, 1970

O dono do céu criou-o
e deliciou-se com ele
como um pai enternecido
com o seu filho
mas, generoso como é,
emprestou-me um pedacinho
para meu deslumbramento
há muitos anos
e promete que um dia
todo ele há-de ser meu
também.


Palmela, Maio de 2008

© Brissos Lino

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 8, 2008

Igrejas infectadas

Aos 25 anos de idade, depois de várias febres, muita rouquidão e um péssimo hálito, dei o braço a torcer e aceitei que o médico operasse as minhas amídalas. Resisti o quanto pude porque sabia que as amídalas existem para proteger as vias respiratórias.

Contudo, o médico conseguiu me convencer de que as minhas estavam imprestáveis; tão infectadas que já não protegiam, mas contaminavam o resto do organismo. Só restava uma opção, arrancá-las fora. A partir daquele dia, aprendi que um órgão – qualquer um – pode perder a sua função original e passar a atacar o corpo.

Nas relações humanas e sociais acontece o mesmo. Quando se perdem as finalidades originais, morrem casamentos, empresas, igrejas. Serve o exemplo da família: pai e mãe devem oferecer um ambiente em que os filhos aprendam a ter confiança, segurança, dignidade. Mas quando acontecem muitas brigas com ódio, quando falta paz, aquela família perde a função de fomentar auto-estima e segurança. Assim, deixa de ajudar e passa a desajustar as crianças.

As religiões também podem virar amídalas infectadas. Bastar ver na história. Inúmeras igrejas criaram ambientes doentios e desumanizadores, quando deviam ser espaços de humanização.

Devido a este site, recebo milhares de mensagens sobre assuntos variados, a grande maioria, entretanto, pede ajuda. Muitos não suportam os sermões vazios com promessas mirabolantes e ameaças de maldição. Entristeço, mas fica óbvio para mim que as lógicas e práticas da igreja evangélica não consegue responder às complexidades do século XXI. Os espaços evangélicos estão febris.

É preciso detectar, rapidamente, onde a infecção se tornou aguda para combatê-la com doses maciças de antibióticos espirituais e éticos; com um bom diagnóstico não será preciso operar o foco da contaminação e ainda preservar o organismo.

Estão infectadas as igrejas que priorizam programas e não relacionamentos. Jesus não tratou a “igreja” como uma instituição, mas como uma comunidade. Igreja são mulheres e homens com um estilo de vida nobre, verdadeiro, que inspiram os outros a glorificar a Deus. Portanto, para o seu eterno propósito dar certo, Jesus não precisa de eventos sofisticados, basta que seus seguidores amem uns aos outros.

Estão infectadas as igrejas que priorizam poder e não serviço. Nas Escrituras, poder só tem sentido quando mobiliza para solidariedade, compaixão, humildade. A busca do poder pelo poder é luciferiana em sua essência. Jesus criou o mundo, mas se esvaziou, encarnou e morreu numa cruz. Os cristãos não almejam tronos, mas bacia e toalha para lavar os pés alheios. Sem esperar aplausos, sentem-se privilegiados de servirem.

Estão infectadas as igrejas que priorizam espetáculo e não discrição. Jesus ensinou que não se devem cobiçar os primeiros lugares; considerou que a autêntica piedade acontece num quarto de portas fechadas; falou que a mão esquerda não deve conhecer o que a direita oferece. Quando Jesus ressuscitou uma menina, respeitou a privacidade da família e não deixou que estranhos entrassem para testemunhar o milagre.

Sobram exemplos de seu recato. Certamente, Jesus não se agrada de saber que alguns tentam transformar a fé num show.

Estão infectadas as igrejas que priorizam milagre e não coragem existencial. Paulo considerou tudo como esterco pela excelência do conhecimento de Cristo – esse, somente esse, deve ser o alvo da espiritualidade cristã. Não se cultua a Deus para descobrir um jeito certo de “alcançar milagre” ou para ter uma fé mais “eficiente”. No culto, celebra-se o amor gratuito e unilateral de Deus. O Evangelho é boa notícia porque todos são aceitos sem exigências. Deus quer bem sem fazer distinção; não se ganha o favor de Deus com obras. Graça é o chão onde todos podem alicerçar a vida com liberdade e sem culpa. O cristão não precisa que Deus conserte as dificuldades da vida, basta a sua companhia.

O Apocalipse foi taxativo com uma igreja infectada: “Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se… Se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do lugar dele. O evangélicos precisaram, como nunca, ouvir esta exortação.

Soli Deo Gloria.

Fonte: Ricardo Gondim.

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 8, 2008

Palavras perdidas (45)

“Para além do género e do penteado, a única essencial diferença entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite é que um está no poder e a outra esteve.”
João Paulo Guerra, “Diário Económico”, 5-5-2008

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 8, 2008

Rui Serodio toca fado de Daniel Gouveia

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 7, 2008

Presença

Nada, mas o sentir-te ali
como uma sombra ou um halo
fazer de conta que conheces
a cor dos meus sentimentos
mais íntimos
reagir em face daquilo
que sei que sabes
de mim
e levantar os olhos devagar
à espera que o teu olhar
me desperte a memória
dos dias vividos
em ti.
Nada mais é necessário.


Palmela, Abril de 2008

© Brissos Lino

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 7, 2008

Palavras perdidas (44)

“[Com o aquecimento global] o Primeiro Mundo será rebaixado a Terceiro e o Terceiro, a Quinto. E isso é para daqui a pouco, quase já.”

Ruy Castro, jornalista

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 6, 2008

Time: o Papa e a lista dos 100 mais influentes do mundo



“O Vaticano informou estar satisfeito com o facto de o papa Bento XVI ter ficado de fora da lista compilada pela revista Time das 100 pessoas mais influentes do mundo”

Foi assim que muitos jornais noticiaram nos últimos dias a bizarria. O Papa, situação altamente estranha, ficou de fora dos critérios da prestigiada Time, ao escolher as 100 pessoas mais influentes do mundo.
A situação torna-se tão estranha quanto estamos a poucas semanas da visita do Papa aos EUA. Mais estranha ainda por que o Dalai Lama consta dessa lista, um dos líderes espirituais dos cristãos ortodoxos, Bartolomeu, também, assim como Muqtada al-Sadr, líder extremista xiita no Iraque.
Logicamente, na retórica se encontra a melhor arma. “Fico satisfeito pelo fato de o papa não estar na lista, porque os critérios empregados nela não têm relação alguma com a autoridade moral e religiosa do papa”, dizem os mesmos jornais que disse o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi. Contudo, parece que, para o editor-chefe do jornal L’Osservatore Romano, Giovanni Maria Vian, a exclusão do Papa da lista foi “uma decisão desconcertante”.
A memória é sempre de gestão complicada. Quem sucede a João Paulo II tem essa dificil tarefa… suceder a João Paulo II! O anterior Sumo Pontífice foi, mesmo, nomeado Homem do Ano da Time em 1994 por suas qualidades de estadista mundial.
Cada vez mais é notória a perda de lugar no mundo do catolicismo. Naturalmente, esta bizarria não corresponde à verdade, mas é uma campainha que toca ensurdecedoramente. Só não a ouve quem não quer.
Num ano em que tantas obras militantemente ateias vieram a público, num ano em que o Papa visitou os EUA e teve como uma das tarefas centrais sarar as feridas dos escândalos de pedofilia, a exclusão de Ratzinger desta lista é como que um Cartão Amarelo: o discurso não está no nosso tempo.
Depois de um certo tempo de benesse, os mídia estão agora desconcertantemente a lançar olhos pelas fragilidades do mundo católico. Poucas vezes, como hoje, foi tão bem vinda a um noticiário, a um jornal, um qualquer escândalo, uma intriga, uma agastação, com a Igreja Católica. Está a ficar na moda o afastamento a essa estrutura milenar.
Esse será o grande desafio deste pontificado: perceber como reagir a essa vontade quase freudiana de fugir e ferir a Igreja Católica que a sociedade está a desenvolver.

Fonte: Paulo Mendes Pinto em Re-ligare.

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 6, 2008

Israel comemora 60 anos como Estado

A sua criação ocorreu em 1948, após a vitória dos Aliados na II Guerra Mundial e em consequência dela. Foi, de algum modo, a recompensa feita pela Europa democrática a um povo - os judeus - martirizado e vítima do Holocausto, organizado com requintes de inesquecível malvadez, e tendo em vista eliminá-los, como povo. Não o conseguiram, felizmente, apesar de todos os sofrimentos irreparáveis que causaram.

Tratando-se de um povo historicamente perseguido pela intolerância dos cristãos e dos islâmicos, sempre simpatizei com os judeus, que tanto ajudaram à consolidação e expansão de Portugal e que, depois, foram expulsos, mortos, ou convertidos à força em “cristãos- -novos”, no tempo de D. Manuel I, em 1496. Depois veio o fanático D. João III, cujo cognome foi o Piedoso, talvez por ter criado a Inquisição e autorizado os autos-de-fé, de má memória. Aliás, a intolerância religiosa contra os judeus, que se prolongou em Portugal e em Espanha, praticamente até ao liberalismo, foi uma das principais causas da “decadência dos povos peninsulares”, como demonstrou numa das célebres Conferências do Casino o grande Antero de Quental.

Hoje, continua a haver quem pense que o “choque das civilizações” - ou das religiões, que as influenciam - é inevitável. É uma concepção malthusiana da história, destrutiva do humanismo, para mim, inaceitável. Deve-se- -lhe opor a Aliança das Civilizações, dinamizada pelo conhecimento recíproco do outro, pe-lo respeito pelo que é diferente, e pelo diálogo, na igualdade.

É, por isso, que penso, como amigo do povo judaico - que ao longo da minha vida política sempre demonstrei ser -, que Israel não se deve defender contra o terrorismo recorrendo a uma espécie de terrorismo de Estado ou cedendo à tentação do “olho por olho, dente por dente”. É um caminho extremamente perigoso - como tantos judeus reconhecem - e que no limite poderá vir a pôr em risco a própria existência do Estado de Israel. O que representaria um recuo civilizacional e geopolítico inaceitável.

Fonte: Mário Soares no DN.

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 6, 2008

Deixai vir a mim as criancinhas (3)

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 6, 2008

Palavras perdidas (43)

“O amor perfeito é a mais bela das frustrações, pois está acima do que se pode exprimir.”

Charles Chaplin

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 6, 2008

Os olhos

Onde têm andado teus olhos
de hora lunar
muito perto do chão
onde o vento limpou o outono
e partiu
papéis desconhecidos?
onde têm estado
teus olhos,
banhados em lágrimas
como uma água de origem
no veludo dos sonhos?
onde têm tocado teus olhos
dentro de mim,
cavam um espaço
para a saudade.
2-04-2006


João Tomaz Parreira

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 5, 2008

A Veste dos Fariseus, segundo Sofia

Era um Cristo sem poder
Sem espada e sem riqueza
Seus amigos o negaram
Antes do galo cantar
A polícia o perseguia
Guiada pelos Fariseus

O poder lavou as mãos
Daquele sangue inocente
Crucificai-o depressa
Lhe pedia toda a gente
Guiada pelos Fariseus

Foi cuspido e foi julgado
No centro de uma cidade
Insultos o perseguiam
E morreu desfigurado

O templo rasgou os seus véus
E Pilatos seus vestidos
Rasgaram seu coração
Maria, mãe de João
João, filho de Maria

A treva caiu dos céus
Sobre a terra em pleno dia

Nem uma nódoa se via
Na veste dos Fariseus

Sophia de Mello Breyner Andresen

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 5, 2008

Entre a preocupação e o alarmismo

António Guterres chamou a atenção do mundo para a situação crítica que se começa a viver, em matéria de produção alimentar. A ONU já revelou também as suas preocupações, e esforça-se por tentar encontrar uma solução, em nome das populações mais pobres do planeta. Mas o que é de dispensar, de todo, é o tom alarmista com que alguns tentaram impressionar ontem a opinião pública portuguesa. Quando se levanta a bandeira da “fome que está aí a vir”, o que se faz, na prática, é apelar ao açambarcamento de alimentos. E quem se lixa, claro, é o pobre. Daí que, nem sempre quem quer falar em nome dos pobres os ajuda.  Motivo de satisfação é o facto de a campanha do Banco Alimentar ter aumentado a recolha de víveres, mais uma vez, o que demonstra que os portugueses ainda sabem distinguir a preocupação do alarmismo.

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 5, 2008

Palavras perdidas (42)

“As pessoas têm escrito livros que prometem ajudar as outras e ser mais felizes há uns duzentos anos, e o resultado tem sido um monte de gente infeliz e um monte de árvores derrubadas.”

Daniel Gilbert, professor de Psicologia em Harvard

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 5, 2008

O triunfo dos pobres

O Vitória garantiu de novo a sua presença na Taça UEFA. Em contraste com as equipas de milhões (Porto, Sporting, Benfica, mas também Braga e outros), o clube do Sado , contra todas as dificuldades, consegue prestigiar os pergaminhos deste clube centenário. Independentemente da corrupção que grassa pelo futebol profissional português (e que lhe retira grande parte da verdade desportiva), vale a pena acarinhar este emblema. Fazê-lo, é também acarinhar a cidade e a região.

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 5, 2008

Continuamos a ser um país de emigrantes

Agora que passou a euforia das comemorações do 25 de Abril, é tempo de colocar os pés no chão e concluir que o regime democrático falhou rotundamente, nos últimos 34 anos. É uma verdade que precisa ser dita. Quando metade da população do país se vê obrigada a emigrar, para garantir o sustento, de acordo com os números da OCDE, temos que concluir que o terceiro D (Desenvolver) dos objectivos do MFA falhou. Bem ou mal, descolonizou-se (1º. D), democratizou-se o país (2º. D), mas não conseguimos desenvolver Portugal. Por isso estamos na cauda da Europa. E este estado de coisas é responsabilidade de todos os partidos políticos, em especial dos que mais responsabilidades tiveram no governo, na oposição e na agitação social. Continuamos a ser um país de emigrantes, como nos anos 60. E não se diga agora que é devido à guerra colonial.

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 5, 2008

Laranja muito escuro

A coisa está preta. A ponto de já nem sequer a banca querer emprestar dinheiro ao PSD, partido que governou o país durante um bom tempo em Democracia. Começo a acreditar nas vozes sociais-democratas que têm manifestado receio público pela possível desintegração desta formação partidária, o que seria uma facada no regime democrático tal como o conhecemos. Os partidos precisam é de se renovar profundamente, não é de desaparecer.

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 5, 2008

O beijo do chicote

“Gemem os remadores,
Mordidos pelo beijo do chicote.”

Miguel Torga, Orfeu Rebelde, 1970

O beijo do chicote vai afagando
aqui e ali
as costas nuas
dos condenados às galés
desta vida
os escravos têm as costas rijas
e os sonhos amarrados
nos olhos

gemem os remadores
geme o chicote
e geme o barco
que não há meio de chegar
a bom porto
se a tempestade vier
pode ser até que
a paz das profundezas
os liberte a todos
de todos os gemidos.

Palmela, Maio de 2008

© Brissos Lino

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 5, 2008

Deixai vir a mim as criancinhas (2)

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 4, 2008

As mães da TV, no Dia da Mãe

No Dia da Mãe, as mães das séries de televisão. Aqui.

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 4, 2008

Deixai vir a mim as criancinhas

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 4, 2008

Na arena com Perpétua e Felicidade

Era o início do terceiro século. O Império Romano tinha se fortificado em toda a região do Mediterrâneo. A sociedade gozava de estabilidade e privilégios — entre eles o de assistir aos jogos realizados no anfiteatro. Este compunha-se de uma estrutura oval, com algumas jaulas laterais para as feras, a arena no centro e um pequeno templo debaixo da arena. Ali, os gladiadores pediam as bênçãos dos deuses romanos para suas lutas, ao mesmo tempo em que os condenados pelo rei aguardavam sua sentença. Ao redor da arena, havia uma espécie de arquibancada para o público assistir confortavelmente aos espetáculos.

Naquela época, o imperador Sétimo Severo baixou um edito segundo o qual todos deveriam oferecer sacrifícios aos deuses romanos e ao próprio imperador. O infrator era sentenciado, juntamente com outros criminosos.

Vívia Perpétua, uma jovem senhora da nobreza, e sua empregada Felicidade eram cristãs. Aos 20 anos, grávida, Perpétua foi condenada, juntamente com Felicidade e mais três cristãos, por desobedecerem ao edito imperial. Em vão o pai de Perpétua tentou várias vezes convencê-la de desistir da fé e sacrificar aos deuses. “O que será do seu filho?”, o pai a advertiu, sem sucesso.

Assim, em 7 de março de 203, foi dado o veredicto final: “Perpétua, Felicidade, Revocato, Secúndulo, Saturnino e Saturo são condenados às bestas no Anfiteatro de Cartago”. Segundo a história, Saturo não estava entre os condenados, mas voluntariamente compartilhou do martírio de seus irmãos em Cristo. Perpétua havia feito um pedido especial a Deus, e foi atendida: deu à luz no dia anterior à sua morte e uma amiga cristã adotou seu pequeno filho.

Os condenados deveriam usar uma roupa designada para o espetáculo. Cada roupa fazia menção a um deus romano, de modo que o sentenciado era oferecido como sacrifício àquele deus. Perpétua e Felicidade, e depois seus companheiros, se negaram a usar a “roupa festiva”, como que num último fôlego de testemunho — nem mesmo sua morte se tornaria oferenda para os deuses. Eles entraram na arena com pouquíssima roupa, mas com um brilho e uma alegria de espírito humanamente inexplicáveis. Todos eles tinham consciência de que sua morte seria um testemunho público importante para o avanço da fé cristã. Felicidade dizia que seu martírio significava para ela não a morte, mas um segundo batismo.

Os homens foram os primeiros a entrar na arena. Dois deles deveriam passar por uma ponte com uma série de obstáculos, entre os quais algumas feras, como leões e tigres, até que chegassem aos gladiadores. Secúndulo morreu na prisão, antes mesmo de chegar à arena. Saturnino foi decapitado e os outros dois morreram durante o espetáculo.

Por último, entraram a jovem senhora e sua companheira. Para elas, foi designada uma bezerra, que investiu primeiramente em Perpétua e em seguida avançou para Felicidade. Perpétua, após recobrar a consciência, ajudou Felicidade a se levantar. Conta-se que escorria leite daquela que amamentara apenas um dia seu filhinho recém-nascido. Elas foram retiradas da arena feridas, para serem mortas pelos gladiadores. A platéia estava exaltada. Queria mais, e exigiu que a morte fosse pública. Elas então morreram na arena, pelas espadas dos gladiadores.

Esta história comovente certamente nos lembra a passagem bíblica que diz: “Eles, pois, venceram [Satanás] por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida” (Ap 12.11). Segundo Tertuliano, o sangue dos mártires é a semente da igreja. Com efeito, o sangue de Perpétua, Felicidade e de seus irmãos em Cristo foi a semente da igreja no Norte da África. Sua morte deveria ser um presente do imperador Severo para seu filho César Geta. Mas foi muito mais um presente para a igreja.

Os poucos cristãos que vivem naquela região felizmente não estão mais sob o jugo opressor romano. Mas precisam da mesma ousadia e fé para “enxergar além do véu” e enfrentar os obstáculos de oposição e perseguição a que ainda estão sujeitos hoje.

Fonte: Délnia Bastos in Ultimato.

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 4, 2008

América

Quando puder ir
ao supermercado
com o coração
nas mãos

com toda
a minha beleza
pagar
vinho e leite

passar os dedos
como código de barras
o qual conta
uma verdade.

(para Allen Ginsberg)

14-03-2006

João Tomaz Parreira

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 3, 2008

Angústia literária

Tenho tanto para dizer. Por que os pensamentos, obstinados, não se adensam? As palavras se esquivam de mim e as frases não se materializam como eu desejo. As idéias pairam bem em cima da minha cabeça; não sei como pousá-las. Procuro a metáfora que melhor traduza um turbilhão de sentimentos furiosos, mas as minhas figuras são pobres, ilustram mal.

Preciso de uma inspiração profana, que desdenhe dos suspiros piegas. Sei que poderia expressar a minha alma caso não percebesse olhares tão escandalizáveis. Tento grafar o que sequer sei com nitidez. Contudo, as pessoas exigem de mim exatidão semântica e a pura sintaxe. Acontece que minhas idéias chegam bagunçadas; uma se sobrepõe à outra sem pedir licença. Sou contraditório como os Provérbios, instável como os Salmos, enigmático como o Apocalipse, meio maluco como o Eclesiastes. Não sei me manter seqüencial; quero espalhar-me como o menino que derrama a caixa de brinquedos sem saber qual vai escolher primeiro.

Pinço versos, anoto as bordas dos livros, tento decorar a letra das músicas, estudo poesia, caço aliterações, rimo, mas acabo frustrado. Invejo o Vinicius, esmurro o corpo para não plagiar o Drummond, abraço o Rubem Alves, porém, não me sinto convidado para a tertúlia dos poetas. Sinto-me um gandula que só devolve a bola para os craques continuarem o grande espetáculo. Para piorar, acabei amigo do Paulo Brabo; sua extraordinária pena coloca escritores de fim-de-semana, como eu, no lugar que lhes é devido: entre os comuns.

Mesmo assim, amo a palavra. Até pouco vivia contente com a oralidade, agora choro para virar escritor. – Socorro, Deus do céu! Como sou teimoso, continuarei nesta agonia até que a minha carne se faça verbo.

Soli Deo Gloria.

Fonte: Ricardo Gondim.

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 3, 2008

Palavras perdidas (40)

“Na crença de certas culturas indígenas que categorizamos de animistas, se define vida humana pela “perfeição genética”. Qualquer tipo de “anomalia” — desde a concepção de gêmeos, até más-formações mais graves como síndrome de Down, paralisia cerebral etc. — contradiz a suposta “perfeição” que definiria o que é um “ser humano” real. Do alto de nosso conhecimento ocidental, criticamos estas crenças animistas. Uma criança gêmea não é encarnação do demônio só porque nasceu mais magrinha. A outra, deficiente, pode ser fonte de muita alegria para os pais, apesar de seus problemas. A vida humana é preciosa, não importa a forma.
Ao comparar estas crenças e nossa definição de cristianismo, percebemos que somos teologicamente tão animistas quanto eles. Só consideramos cristãos aqueles que se encaixam em nossa definição do que seja uma doutrina perfeita e sadia. As anomalias podem ser desprezadas, abandonadas, e até cruelmente assassinadas por nossas palavras.”

Bráulia Ribeiro, in Ultimato.

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 3, 2008

Letreiro, de Torga

Porque não sei mentir,
Não vos engano:
Nasci subversivo.
A começar por mim – meu principal motivo
De insatisfação -,
Diante de qualquer adoração,
Ajuízo.
Não me sei conformar.
E saio, antes de entrar,
De cada paraíso.

Miguel Torga,
Orfeu Rebelde, 1970 (2ª. ed. revista)

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 3, 2008

Saulo de Tarso descobriu o “Deus da pessoa”

Artigo de Anselmo Borges sobre o Apóstolo Paulo, na passagem dos 2000 anos sobre o seu nascimento. Aqui.

Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 3, 2008

Madeleine: outra vez não, por favor!

Agora o pretexto é a passagem de um ano sobre o desaparecimento da menina inglesa. Lá vamos nós voltar a apanhar com doses industriais de não-informação sobre o tema. Não há nada de novo para dizer, mas a matéria vende bem, pelos vistos…

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